Para especialistas, renda fixa atrelada à inflação deve ter melhor retorno

Seção: Economia

Depois de liderarem a lista de melhor rentabilidade no primeiro semestre, os fundos de renda fixa com títulos atrelados à inflação devem encerrar o ano com o melhor desempenho na categoria, segundo especialistas consultados pela Folha.

A percepção se baseia no cenário de inflação elevada, que favorece os fundos que têm em sua carteira títulos com parte de juros prefixados mais um índice inflacionário, como o IPCA. Mas outros fatores devem influenciar o desempenho desses produtos, entre eles a incerteza em torno da política monetária do Banco Central.

As eleições também terão peso no retorno oferecido pelos títulos. "Há um lado político que eleva a volatilidade. Dependendo do resultado eleitoral, haverá um efeito sobre os juros dos títulos públicos", avalia Alexandre Chaia, professor de finanças do Insper, instituto de ensino.

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SEMESTRE

O investidor que ainda não escolheu um fundo de renda fixa deve priorizar aqueles atrelados à inflação ou com exposição a títulos privados, afirma Chaia. "O crédito privado, por conter o risco adicional da empresa emissora, costuma dar um retorno superior ao dos títulos públicos, cujo risco de crédito é o do governo", diz.

Porém, antes de escolher um fundo que aplique em títulos privados, é preciso conhecer os emissores desses papéis, analisando os riscos envolvendo os negócios dessas empresas.

De maneira geral, os fundos de renda fixa que tiveram melhor desempenho no primeiro semestre apostaram em uma carteira de títulos atrelados à inflação, além de terem sido beneficiados por cenário de elevação da taxa básica de juros.

A conclusão se baseia na relação dos fundos com maior rentabilidade feita pelo Sistema Comdinheiro de acompanhamento de ativos financeiros para aFolha.

A estratégia dos gestores dos três fundos que lideraram a lista foi a de superar a variação do IMA-B, índice baseado em uma carteira teórica de títulos públicos indexados à inflação, as NTN-B (Notas do Tesouro Nacional B).

O fundo campeão, da Icatu Vanguarda, montou um portfólio com papéis com vencimento mais longo, explica Bruno Horovitz, responsável pela distribuição da empresa. "O prazo médio de vencimento dos títulos da carteira desse fundo gira em torno de 10,5 anos, 11 anos."

Para superar o IMA-B, o gestor precisou apostar nos títulos –e prazos– que avaliava que teriam maior retorno, montando uma carteira com percentual diferente de exposição a esses papéis.

Foi a mesma estratégia adotada pelo fundo do HSBC, que também priorizou títulos com vencimento mais longo, afirma Adilson Ferrarezi, diretor de fundos da HSBC Global Asset Management.

Já Marcelo Mello, vice-presidente de investimentos da SulAmérica, atribui a boa performance de seu fundo ao IPCA mais alto e também à marcação a mercado.

"A mesma dinâmica será vista no segundo semestre. O investidor vai continuar preferindo a renda fixa", diz.

CUSTOS

Os dois fundos que lideram a relação têm em comum uma baixa taxa anual de administração: 0,5%, no caso da Icatu Vanguarda, e 0,4%, da SulAmérica. A aplicação inicial mínima nos dois casos ajuda a explicar a taxa menor –R$ 20 mil e R$ 5.000, respectivamente. "Quanto mais recursos o investidor tem para aplicar, mais acesso ele tem a instrumentos melhores", afirma Chaia, do Insper.

Mas o valor da taxa não deve ser a única preocupação do pequeno investidor. "Ele deve analisar a rentabilidade líquida do produto. Há fundos que cobram taxas maiores, mas entregam bons resultados", avalia Chaia.

É o caso do terceiro colocado, o fundo do HSBC, que cobra taxa de 1,5% e tem aplicação inicial de R$ 15 mil.