PIB pode recuar 3,5% se não houver acordo, diz consultoria

Veículo: O Estado de São Paulo

Seção: Economia

Impacto de um calote se arrastaria ainda para o próximo ano; Abeceb aponta 60% de chance de um acordo ser fechado

Há poucos meses, economistas otimistas na city financeira portenha previam que a Argentina teria neste ano uma queda de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB). Os mais pessimistas afirmavam que a queda seria de 1,5%. Mas a crise com os credores internacionais e um eventual calote argentino na próxima quarta-feira tornou as perspectivas mais sombrias.

Relatório da consultoria Abeceb mostra que, no caso de um calote, o PIB terá queda de 3,5% e a inflação pode chegar a 41% este ano. Já o consumo registraria retração de 3,8% e o dólar oficial - hoje em 8,14 pesos - encerraria o ano em 10,89 pesos.

Segundo a Abeceb, o calote "aumentaria as restrições externas, afastando a possibilidade de o país ter acesso a financiamento nos mercados voluntários de dívida. Além de aumentar a taxa de risco do país.

O impacto do calote, mesmo que o país retome os pagamentos em janeiro do ano que vem, também teria reflexos em 2015, com a economia recuando 0,5%, segundo a Abeceb. Para a consultoria, comandada por Dante Sica, ex-secretário de Indústria, existe 60% de chances de um acordo.

Opções. O governo Kirchner argumenta que a saída para o impasse seria o juiz federal Thomas Griesa, encarregado da disputa, em Nova York - por decisão própria ou a pedido dos holdouts - restabelecer a liminar que protege os pagamentos que o país faz regularmente aos credores reestruturados nos Estados Unidos, sem riscos de embargo por parte dos holdouts.

Nesse caso, a ideia é continuar negociando com os fundos hedge, de maneira a formalizar um acordo em janeiro do ano que vem, isto é, quando a cláusula Rufo - que vence no dia 31 de dezembro - não estiver mais em vigência. Essa cláusula estabelece que se a negociação com os holdouts for mais vantajosa do que a feita com os credores que aceitaram reestruturar suas dívidas, esses terão direito aos mesmos critérios.

Outra opção é pagar os holdouts. O NML exige US$ 1,3 bilhão. Mas pagar todos os fundos hedge implicaria em um desembolso de US$ 15 bilhões.

Manter o confronto é outra alternativa. Mas, nesse caso, seria impossível pagar os credores em Nova York. O governo ofereceria pagar em Buenos Aires, após uma nova reestruturação da dívida com bônus a cobrar na Argentina. No entanto, a confiabilidade do país é muito baixa para que os reestruturados na legislação americana aceitem jurisdição argentina.

A consultoria Eurásia Group, de Nova York, em relatório emitido na sexta-feira indicou que apesar da falta de avanço nas negociações, "ainda existem chances de um acordo". / A.P.