Reajustes tarifários tendem a ficar próximos a 30% em agosto

Veículo: Portal Idec

Seção: Economia

Os próximos reajustes nas tarifas de energia elétrica devem ser ainda mais amargos que os concedidos ao longo do primeiro semestre deste ano. Os aumentos neste segundo semestre tendem a variar entre 20% e 30%, enquanto os reajustes concedidos até junho oscilaram entre 10% e 20%. A elevação reflete o aumento dos custos com aquisição de energia pelas companhias, que subiram neste ano em razão do acionamento das usinas térmicas. O megawatt-hora gerado por essas unidades é muito mais caro que o produzido pelas hidrelétricas.

Amanhã, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) vai definir os reajustes tarifários da Copel, controlada pelo Estado do Paraná, bem como de outras duas pequenas distribuidoras paranaenses, a Cocel e a CFLO, que compram energia da estatal. A Aneel já havia autorizado a Copel a elevar suas tarifas em 35% neste ano, mas a estatal pediu para diferir uma parte deste percentual para 2015, após as pressões feitas pelo governador do Estado, Beto Richa (PSDB).


A distribuidora paranaense pretende corrigir a conta de luz de seus consumidores em 24,86% neste mês e aplicar o percentual restante em junho do ano que vem. No entanto, a Copel quer que a Aneel a autorize a atualizar pelo IGP-M a parcela que só será cobrada em 2015, e que equivale a uma receita em torno de R$ 1 bilhão. O objetivo é evitar perdas financeiras para a companhia.

A Aneel já deveria ter analisado o pedido da Copel na semana passada, mas a reunião precisou ser cancelada. Na data, os diretores da agência reguladora foram sabatinados pela Comissão de Infraestrutura do Senado.

No dia 7 de agosto, serão reajustadas as tarifas da Celesc, de Santa Catarina, da Celpa, do Pará, e da Escelsa, do Espírito Santo. No dia 26 de agosto, será a vez da CEB, que distribui energia no Distrito Federal. No dia 27, entra em vigor o reajuste da Elektro, que atende municípios no interior de São Paulo. Já no dia 28 serão corrigidas as tarifas da Ceal, em Alagoas, e da Cemar, no Maranhão.

Segundo uma simulação feita pela empresa de consultoria TR Soluções, a Celesc e Celpa podem ter aumentos de 21% e 31%. Mas o maior aumento entre todas as distribuidoras do país dever ser o da Ceal, cuja tarifa pode ser reajustada em 33%, estima a consultoria.

A Elektro também deve apresentar um aumento expressivo, de quase 30%. A distribuidora paulista era uma das mais expostas ao mercado de curto prazo (decisão que não depende das companhias) e recebeu um grande volume de contratos no último leilão de energia promovido pelo governo, cujos preços saíram bem acima do que se cobrava no setor.

"O reajuste da Elektro ainda depende de definição sobre financiamento dos custos do mercado de curto prazo e da geração térmica", informou a companhia, por e-mail. No leilão realizado no dia 30 de abril, a distribuidora paulista afirma ter comprado 212 MW médios de energia, o que equivale a aproximadamente 12,5% do mercado da empresa. Com essa aquisição, a empresa reduziu sua exposição ao mercado de curto prazo em 74%".