Copa e inflação castigam balanços das empresas

Veículo: Valor Econômico

Seção: Economia

Número menor de dias úteis por causa da Copa do Mundo, atividade econômica fraca e inflação elevada. Estes são alguns dos fatores que pressionaram os resultados das empresas no segundo trimestre e devem aparecer nos balanços das companhias de capital aberto que começam a ser divulgados hoje. "Em momentos de economia menos combalida, o segundo trimestre é mais forte que o primeiro, mas neste ano isso não deve ter acontecido", diz Karina Freitas, da corretora Concórdia.

Mesmo as empresas exportadoras, que vinham se destacando em relação àquelas mais voltadas ao mercado doméstico, tiveram um trimestre difícil. Analistas explicam que iniciativas para gerar eficiência, por meio de cortes de custos ou venda de ativos, também perderam fôlego. "O movimento começou há mais de um ano e hoje há muito menos gordura para queimar", informa Karina.

Os números preliminares das empresas mostram que a lista dos setores que devem mostrar resultados fracos supera a dos que tiveram um bom trimestre. A expectativa de bom desempenho se concentra em setores com receitas atreladas à inflação, como os de energia elétrica e educação. Entre os mais prejudicados está o varejo têxtil, por causa da redução da atividade durante a Copa, embora as empresas mais dinâmicas do segmento tenham reduzido custos para enfrentar o momento ruim.

As empresas que vendem produtos considerados essenciais, como o Pão de Açúcar e as Lojas Americanas, sofreram menos com a desaceleração do consumo. Na avaliação do HSBC, essas empresas estão entre as poucas do segmento que podem ter se beneficiado da Copa, com aumento da venda de cervejas, itens temáticos e produtos para churrasco. Além disso, o efeito calendário da Páscoa, que caiu em abril neste ano, pode ter melhorado os resultados na comparação anual.

A queda de 2,67% na cotação do dólar entre abril e junho deve trazer algum alívio, já que as dívidas em moeda estrangeira são corrigidas pela moeda americana e a diferença é contabilizada como receita financeira. O efeito tende a ser relevante na comparação anual, uma vez que, no segundo trimestre do ano passado, o dólar se valorizou 10% em relação ao real, com impacto negativo sobre o lucro.