Fabricantes comemoram aposta em licenciamento

Veículo: Valor Econômico

Seção: Economia

 

Raphael Gunther/Valor / Raphael Gunther/Valor

Alexandre Döhler: "Planejamos vender 400 mil toalhas licenciadas"

 

As empresas que apostaram no patrocínio da Copa do Mundo têm bons motivos para comemorar, independentemente dos resultados em campo. Pesquisa feita pela Federação Internacional de Futebol (Fifa) mostra que 98% dos brasileiros reconhecem as marcas da Copa. Um segundo levantamento, desta vez do Ibope e TV Globo, revela que 22% dos entrevistados comprariam algum produto relacionado aos jogos. Para percorrer esse trajeto, no entanto, as empresas tiveram que seguir à risca as regras determinadas pelo Programa de Licenciamento de Produtos e Canais de Distribuição Oficiais, elaborado pela federação.

Esse processo de seleção está sob os cuidados da Globo Marcas, licenciadora oficial da Fifa. Um dos pré-requisitos para se obter a licença é que a empresa candidata pague 12% de royalties à licenciadora. A companhia licenciada não tem exclusividade na exploração da identidade visual da Copa do Mundo no seu ramo de atividades.

Os números recolhidos do início da Copa mostram que entre 80% a 90% de todos os produtos licenciados pela Fifa já foram distribuídos a varejistas do país. São três milhões de bolas, 700 mil tatus-bola de pelúcia e 600 mil fulecos.

Entre outros itens que fogem a esses perfis de festa, há produtos licenciados tão variados como cadeados, toalhas e confecções.

"A Döhler saiu na frente e marcou o primeiro gol. Foi a única companhia do setor têxtil que conseguiu a licença da Fifa para fabricar toalhas de praia exclusivas com motivos da Copa do Mundo", comemora Carlos Alexandre Döhler, diretor comercial da Döhler S/A. A empresa passou por uma rígida avaliação da Fifa, que considerou, segundo o executivo, critérios como confiabilidade financeira, gestão e capacidade de entrega.

"Planejamos vender 400 mil toalhas licenciadas, mas acredito que esse volume possa chegar a 800 mil até o final do mundial", diz o executivo. O processo de fabricação foi iniciado em janeiro. Além das toalhas, a empresa aposta na linha Service Line, voltada para o setor hoteleiro, e que já registrou aumento de vendas de 25%. "Com o mundial se aproximando, os hotéis das cidades-sede e turísticas estão passando por reformas e isso inclui a troca de enxovais, o que está nos favorecendo bastante", explica.

Em outro nicho de mercado, o Grupo Papaiz, especializado em cadeados e fechaduras, fez um levantamento junto ao consumidor e constatou que o símbolo da Copa mais desejado é a bola. Segundo Sandra Papaiz, superintendente da companhia, com base nisso foi criado um cadeado em formato de bola de futebol com estampas do Fuleco e o emblema da Copa. A executiva não divulga os investimentos nessa empreitada, mas garante que está valendo a pena.

"Não foi uma negociação barata e simples, mas o objetivo principal de agregar valor ao nosso produto foi conseguido", diz Sandra. "As vantagens desse processo são facilmente percebidas. Por exemplo, o reconhecimento imediato da marca, a valorização do público, a associação a conceitos e valores ligados à Fifa, a economia em desenvolvimento de marca e o aumento das vendas", relata a executiva. "A Papaiz, ao fim da Copa, estima crescer 10% em volume de vendas."

A Malwee colocou no mercado a sua coleção de produtos licenciados da Copa 2014. "São mais de cem modelos que vão de camisetas e meias a jaquetas, lingeries e pijamas", diz Joe Giesele, diretor de desenvolvimento de produto da Malwee. "Participar de um evento reconhecido mundialmente é muito bom para dar visibilidade à marca. As vendas dessa coleção deverão responder por 2% da receita total da empresa no final do evento." Levantamento feito pelo Sebrae mostra que as PMEs vão faturar R$ 500 milhões com a Copa.