Mercado projeta crescimento menor do PIB em 2014, de 1,5%

Veículo: Folha de São Paulo

Seção: Economia

Os analistas de mercado reduziram suas estimativas para o crescimento da economia neste e no próximo ano, de acordo com o boletim Focus, do Banco Central (BC), que apura projeções entre cerca de cem instituições.

A revisão ocorre após a divulgação do resultado do PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil no primeiro trimestre. A mediana das projeções do mercado para o crescimento do PIB saiu de de 1,63% para 1,50% em 2014 e de 1,96% para 1,85% em 2015.

Na última sexta-feira (30), o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) informou que o PIB cresceu 0,2% no primeiro trimestre deste ano, em relação aos três meses anteriores, feitos os ajustes sazonais. O resultado foi influenciado pela queda de 2,1% nos investimentos e de 0,1% no consumo das famílias. Um dos destaques negativos do PIB foi a indústria, que caiu 0,8% no período, mais do que o esperado.

No Focus, os analistas reduziram as estimativas para o aumento da produção industrial brasileira, de 1,40% para 1,24% neste ano, mas mantiveram as expectativas para 2015, de avanço de 2,20%.

Na sexta, ao comentar o PIB, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, evitou confirmar a previsão do governo, de crescimento de 2,3% neste ano. O ministro creditou o fraco desempenho da economia no início do ano aocenário externo e à inflação.

Nesse quesito, não houve grandes alterações de expectativas no Focus.

A mediana dos analistas para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) neste ano seguiu em 6,47% de alta. Para 2015, houve um ligeiro ajuste para cima, de 6% para 6,01% de aumento.

SELIC

Quanto à Selic, a mediana para este ano passou de 11,25% para 11%. Na semana passada, o Comitê de Política Monetária (Copom) interrompeu o ciclo de alta dos juros ao manter a taxa básica da economia em 11%.

O Focus mostra que os analistas continuam a esperar uma elevação no custo do dinheiro até o fim de 2015, para 12%.

Os analistas Top 5 —os que mais acertam as previsões— mantiveram sua expectativa de Selic em 11,25% até o fim de 2014, mas reduziram suas apostas para 2015, de 12,75% para 12,50%.

Quanto ao IPCA, eles revisaram para cima suas expectativas referentes a este calendário, de 6,58% para 6,60%, e conservaram a previsão de 2015 em 6,90% de alta.