Brasil pode receber US$ 400 milhões dos EUA em 'caso do algodão'

Veículo: Folha de São Paulo

Seção: Economia

O Brasil está disposto a aceitar uma compensação financeira de US$ 400 milhões aos produtores de algodão para não abrir um novo painel contra os Estados Unidos na Organização Mundial do Comércio (OMC).

Folha apurou que o acordo em negociação prevê uma compensação financeira para os produtores de algodão por causa de distorções provocadas pela nova lei agrícola americana, a Farm Bill.

Outros pontos também estão sendo negociados, como mais liberdade para usar esse dinheiro, redução dos prazos do programa de subsídios à exportação dos EUA para 16 meses, e até a inclusão de 20 novos produtos no Sistema Geral de Preferências americano, que permite tarifa de importação reduzida.

Jorge Araújo/Folhapress
Colheitadeira trabalha em campo de plantação de algodão na região oeste da Bahia
Colheitadeira trabalha em campo de plantação de algodão na região oeste da Bahia

Se os dois lados não chegarem a um acordo nas próximas semanas, o Brasil abrirá novo painel contra os EUA no mês que vem, por não ter implementado corretamente as determinações do processo anterior. A briga se arrasta há mais de uma década.

Os EUA vinham pagando US$ 147 milhões por ano aos cotonicultores brasileiros, mas interromperam os pagamentos antes de a Farm Bill passar no Congresso. Como as regras de utilização são restritas, os produtores brasileiros ainda têm em caixa US$ 600 milhões.

Segundo a Folha apurou, em reunião realizada na semana passada em Washington, o Brasil solicitou compensação de cerca de US$ 800 milhões e os EUA pediram sigilo sobre a cifra, para evitar problemas com o Congresso.

A Abrapa (associação dos produtores), no entanto, acenou estar disposta a aceitar US$ 400 milhões, embora estime prejuízos para o setor, com a Farm Bill, de US$ 1,6 bilhão em cinco anos.

A negociação consta de um documento vazado por hackers, que o atribuem ao Itamaraty. Intitulado "Contencioso do algodão na OMC: bases para um possível acordo", ele é datado de 14 de maio deste ano.

Oficialmente o Itamaraty informa que "não confirma a veracidade de qualquer documento" que veio a público.

Folha apurou que parte dos técnicos no Itamaraty defende que a compensação geraria uma "nova distorção no comércio" e prefere partir para um novo painel.

Gilson Pineso, presidente da Abrapa, diz desconhecer o suposto documento do Itamaraty. "Estamos preparados para o painel", afirmou, sem descartar a negociação de compensação financeira.