Analistas revisam para baixo crescimento deste ano

Veículo: Folha de São Paulo

Seção: Economia

Investimentos e consumo em queda, o que ilustra o abatimento de dois importantes motores da economia, fizeram analistas revisarem para baixo estimativas para o PIB deste ano.

As projeções, até então mais próximas de 2%, ficaram perto de um crescimento de 1% em 2014.

Os economistas do Itaú Unibanco preveem que a perda de confiança de empresários e consumidores na economia faça com que a atividade encolha 0,2% entre abril e junho.

Em maio, a confiança do industrial registrou a maior queda desde dezembro de 2008, auge da crise global.

"Esse movimento é normalmente acompanhado de atividade fraca", diz Caio Megale, do Itaú Unibanco.

Entre os consumidores, o pessimismo aumentou em razão de um cenário menos "confortável" no mercado de trabalho e moderação do aumento da renda.

"O mercado ainda está aquecido, mas não como estava há seis meses", disse ele.

A economista Alessandra Ribeiro, da Tendências, deve cortar sua projeção de crescimento de 1,9% para algo entre 1,5% e 1,7%.

Na sua opinião, o consumo das famílias pode se recuperar com a gradual desaceleração da inflação dos alimentos, o que deve recompor a capacidade de consumir dos brasileiros ao longo do ano.

"É a única coisa que pode ajudar do lado da demanda", disse ela. "Do lado da produção, a indústria é a má notícia e não há gatilho para melhora nos próximos meses".

COPA

A economista prevê que a Copa do Mundo deverá reduzir as atividades nas fábricas e no comércio, o que pode contaminar o resultado do PIB no segundo trimestre.

Para Megale, o evento tem efeito "neutro", uma vez que pode contribuir com o aquecimento de atividades como hospedagem e recepção.

Além disso, a perda de competitividade do setor só poderá ser parcialmente recomposta se o dólar subir, o que ela prevê que ocorra mais perto das eleições.

Para o segundo semestre, entretanto, os economistas preveem um desempenho mais positivo.

REVISÃO DE 2013

O IBGE revisou o crescimento da economia em 2013, de 2,3% para 2,5%.

A mudança foi consequência da incorporação da nova medida de produção industrial. O resultado do setor subiu de 1,3% para 1,7%. Houve melhora também na agropecuária (de 7% para 7,3%) e dos serviços (2% para 2,2%).

Os resultados trimestrais também mudaram. Segundo o IBGE, o PIB do quarto trimestre do ano passado teve expansão de 0,4% sobre julho a setembro, ante 0,7% reportado inicialmente.

Com isso, a contribuição do PIB do ano passado para o deste ano (herança estatística) recuou de 0,7% para 0,6%.