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PSR recomenda racionamento de 6%

Veículo: Valor Econômico

 

Seção: Economia

 
Leo Pinheiro/ValorMario Veiga, fundador da PSR: especialistas alertam para risco de blecautes caso reservatórios desçam para níveis inferiores a 10% durante período seco

 

A ideia de que o país deveria reduzir o consumo de energia entre 4% e 6%, que já circula pelos corredores do Operador Nacional do Sistema (ONS), conforme antecipou o jornalista Daniel Rittner, do Valor, é compartilhada por nomes respeitados do setor elétrico. O especialista Mario Veiga, da firma de consultoria PSR, recomenda que o país adote um racionamento preventivo de 6%, que seria necessário para garantir a segurança do setor elétrico nos próximos seis meses, afastando o risco de que sistema entre em colapso.

Esse perigo existe caso os reservatórios das hidrelétricas desçam para um nível médio inferior a 10% durante o período seco, que se inicia agora em maio e se estende até novembro. Nesta época, o volume de chuvas cai drasticamente em relação aos meses de verão, provocando um esvaziamento nas reservas de água das usinas, que estão hoje em 38,1% da capacidade máxima na região Sudeste e Centro-Oeste, onde ficam grande parte das hidrelétricas que atendem a rede elétrica.

Se os reservatórios caírem para menos de 10%, as usinas podem parar de gerar de energia, causando blecautes. Neste caso, há o risco de ONS perder o controle sobre a operação do sistema elétrico.

A recomendação de que o país adote um racionamento de 6% foi feita por Veiga durante uma teleconferência com investidores e analistas de investimentos, promovida pela Brasil Plural para seus clientes, na quarta-feira. Segundo Francisco Navarrete, analista do setor elétrico da corretora, o diagnóstico de que o Brasil precisaria reduzir o consumo deixa de ser uma probabilidade - como a questão vinha sendo tratada até agora pelos especialistas em energia, que aguardavam o fim do período úmido - e passa a ser uma recomendação firme. A preservação de um patamar mínimo de água de 10% nos reservatórios é um critério amplamente utilizado no setor elétrico.

Mas, na avaliação de Navarrete, a percepção do mercado em relação ao governo federal não mudou. Ninguém espera que sejam preparadas, nos gabinetes em Brasília, medidas para reduzir a demanda de energia.

Essa foi a quarta teleconferência realizada pela PSR com clientes da Brasil Plural. No evento anterior, há cerca de 15 dias, o consultor havia projetado a necessidade de um racionamento de 8%. Como a hidrologia acabou sendo melhor que a prevista naquele momento, a PSR reviu o corte no consumo para 6%.

Veiga participou do "relatório Kelman", produzido pela Câmara de Gestão da Crise de Energia durante o racionamento, em 2001, e é um consultor renomado no setor.

O diretor-geral do ONS, Hermes Chipp, negou ao jornalista Daniel Rittner que o órgão tenha sugerido à presidente Dilma um corte imediato no consumo. "Não temos nenhuma indicação, no momento, para propor racionalização ou racionamento de energia elétrica."

 



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