Demanda por algodão no país deve fechar o ano com queda de até 17%

Veículo:Valor Econômico

 

Seção: Economia

O consumo de algodão pela indústria brasileira está em retração. Segundo o coordenador do Comitê de Algodão da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), Alexander Kurre, a demanda pela pluma no primeiro trimestre deste ano no Brasil caiu cerca de 20%, reflexo do arrefecimento do consumo interno de têxteis e vestuário.

Por mês, as tecelagens e fiações instaladas no Brasil costumam usar 75 mil toneladas de algodão. Nesse primeiro trimestre, portanto, afirma Kurre, esperava-se um consumo da ordem de 225 mil toneladas. Mas, na realidade, esse volume deve ter ficado em, no máximo, 180 mil toneladas, segundo o executivo da Abit.

 

 

Com isso, ele projeta que o consumo da commodity pela indústria brasileira, normalmente em 900 mil toneladas anuais, deve ficar entre 750 mil e 800 mil toneladas no ciclo que começou em julho de 2013 e termina em junho deste ano (2013/14). Kurre afirma que a realização da Copa do Mundo no Brasil não vai influenciar o consumo da pluma, uma vez que a maior parte dos artigos fabricados para o Mundial são feitos de fibra sintética.

Para a safra 2013/14, que começa a ser colhida em julho, a indústria fez poucas aquisições antecipadas de algodão. Isso porque, segundo o presidente da Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea), Marco Antonio Aluisio, a previsão é de grandes volumes de produção no Brasil.

A colheita deve ser este ano cerca de 25% maior do que a do ano passado, entre 1,6 milhão e 1,650 milhão de toneladas de pluma, segundo estimativas da Anea. Em torno de 50% a 60% desse volume já foi vendido pelo produtor brasileiro, segundo a entidade, o que equivale a cerca de 800 mil a 900 mil toneladas. No mesmo período do ano passado, o percentual da produção vendida com antecedência era de cerca de 40% de uma safra menor, de 1,3 milhão de toneladas. O presidente da Anea estima que o preço médio de comercialização do algodão da temporada 2013/14 esteja próximo de 80 centavos de dólar por libra-peso na propriedade.