SINTEX APOSTA EM ALTERNATIVA A FEIRA TRADICIONAL

 

Veículo: Análise em foco

Seção: Têxtil

Neste domingo teve início a 1ª Turnê do Mercado Têxtil (TMT), como está sendo chamada iniciativa do Sindicato das Indústrias de Fiação, Tecelagem e do Vestuário (Sintex), entidade que representa empresas de Blumenau e região. O objetivo é promover encontros entre as fábricas e compradores de mais de 100 estabelecimentos e redes comerciais do Brasil.

– Queremos estimular a geração de negócios, com visitas "in company", aproximando os canais de distribuição aos produtores da indústria têxtil – comenta o presidente do Sintex, Ulrich Kuhn.

Irão participar da rodada de encontros, que vai até o próximo dia 6, as empresasAtlântica, Bella Janela, Bouton, Buettner, Buddemeyer, Hedrons, Karsten, Lepper e Teka.

Diferente das feiras promovidas pelo setor, o formato proposto pela TMT é inédito no mercado nacional. Em apenas cinco dias, serão promovidos cerca de 100 encontros noshow room de cada empresa, nas cidades catarinenses de Blumenau, Brusque, Joinville e São Bento do Sul.

– É um evento muito focado no relacionamento e nas vendas – destaca o diretor-executivo do SintexRenato Valim.

De acordo com ele, outras empresas já teriam mostrarado interesse em participar do evento, mas nesta primeira edição a participação foi restringida àquelas que ajudaram a desenvolver o modelo da turnê.  O formato escolhido foi definido após uma série de reuniões entre o sindicato e as indústrias que apostaram na ideia.

Vocação

O Brasil está entre os 10 principais mercados têxteis do mundo, com 120 mil empresas instaladas e um faturamento anual de US$ 57 bilhões, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit). A região Sul concentra mais da metade do número de empresas nacionais e do faturamento têxtil anual. Neste cenário,Santa Catarina destaca-se como o principal polo nacional de cama, mesa, banho e têxteis para o lar, sendo responsável pela produção de marcas consagradas e tradicionais do segmento.

(Da assessoria de imprensa do Sintex, com edição do AeF)

OPINIÃO DO PORTAL

A ótima ideia do Sintex tem duas razões básicas para ser recebida com otimismo:

1) Reduz drasticamente o custo de realização do evento. Se a Texfair, que acabou deixando de existir por se tornar uma feira cara demais para o custo-benefício que oferecia aos fabricantes, a TMT vai permitir às empresas catarinenses mostrar o que têm de melhor sem ter que gastar fábulas de dinheiro para impressionar os clientes com estandes luxuosos. Em época de desidratação econômica, nada mais inteligente a se fazer.

2) Com o novo modelo de negócios, as têxteis de Santa Catarina mostrarão suas virtudes de forma mais natural, Com um parque fabril bem estruturado, um sistema produtivo moderno e um trabalhador qualificado, a indústria têxtil catarinense tem todos os atributos necessários para impressionar quem busca qualidade e diferenciação, além de preço e capacidade de produção, é claro. Quem visitar as fábricas do estado, perceberá que realmente não está comprando coisa de fundo de quintal nem tampouco estimulando a contratação de mão-de-obra semi-escrava.

E assim Blumenau, o Vale do Itajaí e SC vão mostrando, mais uma vez, como é que se aproveita momentos de dificuldade para superar desafios, empreender e crescer, em vez de se lamentar. Pena que a esfera pública não faz sua parte na hora de estimular esta vocação empreendedora e vitoriosa. Imagine este lugar com melhores rodovias, portos e aeroportos; pense na competitividade da indústria local se a carga tributária e a burocracia fossem menor;  vislumbre os níveis de produtividade com uma educação de mais qualidade, que formasse trabalhadores mais qualificados; mentalize o que ocorreria aqui se o ambiente fosse mais propício à inovação e ao desenvolvimento de tecnologia.

Poderia ser quase uma Coreia do Sul, uma Taiwan, uma Alemanha ou uma Suécia. Infelizmente, no entanto, acaba ficando mais para o Brasil mesmo, com alguma diferenciação.