BC reduz previsão do PIB para 2,3% em 2013

Veículo: Veja

Seção: Economia

 

Em relatório trimestral de inflação, a autoridade monetária revisou as estimativas de crescimento de 2,5% para 2,3%, mas manteve expectativa de inflação a 5,8%

 

O Banco Central reduziu nesta sexta-feira, pela segunda vez seguida, a estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro deste ano de 2,5% para 2,3%, de acordo com o Relatório Trimestral de Inflação. No relatório anterior, divulgado no final de setembro, a estimativa já havia sido revisada de 2,7% para 2,5%.
 
Por outro lado, a expectativa para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) permanece inalterada para 2013, em 5,8%. Já para 2014, houve uma leve redução para 5,6%, ante projeção de 5,7%.
 
Segundo o Relatório Trimestral de Inflação, o BC não mudou sua expectativa para o IPCA deste ano pelo cenário de referência, que já leva em consideração a Selic a 10%. 
 
O BC voltou a repetir que os efeitos da política monetária nos preços ocorrem com "defasagens"  e que a autoridade monetária "deve se manter especialmente vigilante, de modo a minimizar riscos de que níveis elevados de inflação, como o observado nos últimos doze meses, persistam no horizonte relevante".
 
A inflação em níveis persistentemente altos vem dificultando os esforços do governo para impulsionar a economia, que no terceiro trimestre encolheu 0,5% - o pior desempenho desde o primeiro trimestre de 2009, abalada principalmente pela queda dos investimentos.
 
Cenário — A meta de inflação do governo é de 4,5% pelo IPCA, com margem de 2 pontos porcentuais para mais ou menos. Em dezembro, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15), prévia da inflação oficial, surpreendeu ao acelerar a alta mensal a 0,75%, fechando o ano em 5,85%.
 
Diante desse cenário, o BC deu início em abril a um ciclo de aperto monetário que tirou a Selic da mínima histórica de 7,25% ao ano para os atuais 10%, e indicou que o processo ainda não terminou.
 
O BC destacou ainda que a tendência vista nos mercados internacionais é de apreciação do dólar mas, ao mesmo tempo, o cenário é de maior crescimento global, "em particular de importantes parceiros comerciais do Brasil". Assim, a depreciação do real ajuda a deixar "a dinâmica da demanda externa mais favorável ao crescimento da economia brasileira".
 
O BC ressaltou ainda que, tomando-se como base o cenário de continuidade de expansão da atividade econômica, a "arrecadação tende a ganhar impulso".