"A moda não está mais na moda"

Veículo: Valor Econômico

Seção: Cutura e Estilo

Fonte: Angela Klinke

 

"Tenho pavor de micar no ano-novo", diz Gloria Kalil. Como a mais famosa consultora de moda e de etiqueta do país poderia ficar de fora de alguma festa? "Sabe quando você vai deixando passar e quando vê já foi? Eu topo ficar em São Paulo, sem problemas. Só que tem de ser voluntário."

Gloria tem sua vida bem organizada, uma agenda costurada à mão. Faz de duas a quatro palestras por mês, alimenta seu site, Chic, cobre as semanas de moda de São Paulo, Rio e Minas, trabalha em projetos de "dress code" para grandes corporações e ainda mantém um namoro de 22 anos com o professor de filosofia da USP Sergio Cardoso, cada um na sua casa. Até parece que sua trajetória foi toda planejada. "Tenho uma grande sensação de privilégio. As portas foram se abrindo pelo meu caminho. Mas não desperdicei. Montei em todo cavalo que passou pela minha frente."

Foi assim que ela participou do início do departamento de moda da Editora Abril; do começo da revista "Claudia" ("quando era revolucionária e não conservadora como hoje"); da vinda da grife italiana Fiorucci para o país ("a primeira marca jovem de desejo no Brasil"); lançou o primeiro livro de moda brasileira que se tornou best-seller ("nem sei em que edição está"); e bolou o Chic, um dos primeiros sites de moda nacional.

Com o réveillon, contudo, não se brinca. "Eu já miquei. É um trauma." Nessa época prefere viajar para o Nordeste. Então, vai repetir a experiência do ano passado: passar o Natal na pousada Fazenda da Lagoa, na Bahia, com o namorado ("eu e meus irmãos Marta e Eduardo somos muitos independentes nessas datas") e se juntar a amigos para a virada do ano num condomínio em Boipeba, na mesma região. "A casa é maravilhosa, a praia, deserta. Um sonho." Cavalo selado. Sem stress.

É só nesta época que ela se permite um recolhimento. "Sou uma pessoa urbana. Não me venha com uma casinha no campo." Paulistana "há três gerações", Gloria usufrui da cidade com prazer. "Se a gente não aproveitar o que São Paulo tem de melhor, aí só sobra trânsito e violência. Vou a restaurantes, teatros, exposições, faço cursos." Por sinal, foi assim que conheceu o namorado. Numa época em que queria "colocar conhecimento pra dentro porque só saía coisa" e "estava ficando burra", ela pediu ao amigo Jorge da Cunha Lima para encontrar um professor de filosofia que a ajudasse a pensar o mundo. Ele sugeriu um curso com Marilena Chaui. Sem agenda, a professora indicou Sergio Cardoso. "Aí, eu levei a maçã para o professor", brinca Gloria.

No bairro dos Jardins, onde mora, sua sugestão para nosso encontro é o muvucado Ritz. À uma da tarde é um blá-blá-blá danado. Duas blogueiras cintilantes estão no recinto em uma mesa central, mas é Gloria quem tem o que dizer no canto mais escondido da casa. Casaquinho Andrea Saletto, óculos escuros Tom Ford, um bloody mary e um compromisso com o contemporâneo. O que falta? "Bolinhos de arroz. Os daqui são muito bons."

Gloria conhece o endereço 1.088 da alameda Franca desde que era uma lavanderia, a loja Bípede ("só de calças") e a famosa butique Biba, não exatamente nessa ordem. "Sou péssima com datas." Ela sabe que a amiga Maria Helena Guimarães montou o Ritz ali na década de 80 e então passou a frequentá-lo.

Ela cresceu no bairro de Higienópolis, numa casa na rua Sergipe, esquina com a Ceará. Brincava na praça Buenos Aires, estudou no Colégio Nossa Senhora das Graças, que ficava na rua Maranhão. "Todo mundo passou por lá nessa época." Todo mundo quem? "Todos os Suplicys, a Vera Bardella, a Amália Matarazzo, a Amelinha Bratke. A Milú Vilela era da sala e minha 'best friend'."

Dali ela foi para o colégio Des Oiseaux e fez o científico no Sion. Apesar de vir de uma conservadora "família normal de classe média alta", Gloria escolheu cursar sociologia na Faculdade de Sociologia e Política. Conflito com os pais? "Eles tinham receio da situação em geral, da repressão brava. Mas não pela minha escolha. E depois, como dizia meu avô Horácio Rodrigues, se você com 18 anos não é comunista só pode ser depravado."

Militante nunca foi. "Mas política sempre fez sentido para mim. Era entusiasmada. Na época, ou você era a favor da coletividade e da solidariedade ou era contra." Hoje, ela entende que seu envolvimento com o estudo da etiqueta venha daí. "É uma prática de civilidade, de levar o outro em conta."

Quanto à moda, difícil precisar quando seu olhar despertou. A mãe (Conceição Rodrigues Meyer) e a avó (Elvirinha) eram "estetas". A arte, a beleza e a harmonia eram importantes em sua casa. "Minha avó era 'belle époque', ia a festas, dirigia um Bugatti conversível e usava cada decote que eu nunca tive coragem na vida." Uma vez, conta, a avó ganhou uma pulseira de brilhantes "maravilhosa". Foi até Paris e encomendou a Coco Chanel um vestido para combinar. A joia tinha a forma de uma guirlanda de rosas e a estilista fez, "imagine", um modelo de paetê prateado. "Eu perguntei para vovó onde estava o vestido e ela disse 'não sei meu bem, sumiu, foi passando'. Eu tenho a pulseira que vale uma fortuna, mas eu queria mesmo era o vestido", comenta, rindo.

Já a mãe era mais severa, "uma mulher do pós-guerra". Mas sempre impecável. "Minha mãe nunca aparecia sem pérolas, até no fim da vida, estava de penhoar e colar." Ela a levava para comprar pano - isso mesmo, Gloria fala pano. "Ela me ensinava: este pano tem tal queda, este dá para aquilo. Fico besta hoje quando vejo jornalista de moda que não sabe distinguir malha de tecido plano. Como podem falar do espírito de uma roupa se não sabem do que é feita?"

- Come. É bom quentinho. Gloria quer que a fotógrafa Ana Paula Paiva prove os bolinhos. Afinal, pedimos porção dupla para ninguém passar vontade. A moça agradece, mas está impaciente. A mesa não tem o recuo necessário para as fotos. Vai continuar de pé esperando vagar uma outra mais bem posicionada.

Na época da faculdade, ela conheceu Thomaz Souto Correa, que a contratou para o departamento de moda em formação na Abril. "A Regina Guerreiro já era editora da 'Manequim'. Todas as veteranonas da moda passaram por lá. Quando eu saí, foi a Costanza [Pascolato] quem entrou." Depois ela foi para a revista "Claudia" "fazer matéria de tudo". "O feminismo era muito presente e a Carmen da Silva era minha ídola."

São as "conjunções históricas" que dão a Gloria a sensação de sorte. "Eu surfei em todas as ondas a favor. Quando eu era jovem, jovem ficou importante. Depois fui trabalhar numa revista feminina, era o auge do feminismo, com a liberdade sexual e tudo o mais. A gente começou o século sem poder votar e terminamos com as mulheres no poder." Hoje à frente do site Chic, ela trata com naturalidade as novas "demandas sociais". "Outro dia recebi um e-mail assim: 'Vou me casar com a minha namorada. Temos de ir com o mesmo vestido de noiva?'"

Por trás de toda pergunta de moda há embutida uma dúvida sobre etiqueta. "A pessoa não quer só saber a roupa que ela deve usar num jantar. Ela quer saber o que a espera, o contexto. Etiqueta é a resposta que a sociedade dá para os problemas que ela mesma está causando. Não é uma frescura, facilita a vida das pessoas." Na Renascença, conta, um monarca declarava guerra ao outro só porque ele tinha passado na sua frente. "Foi só estabelecer que o anfitrião deve deixar o visitante passar primeiro que tudo se acalmou."

As corporações são um desafio constante. Gloria precisa lidar com dúvidas de nobres e plebeus à luz dos novos tempos. Os projetos podem durar até um ano e envolvem pesquisas com funcionários e entrevistas com diretores e presidentes. Num projeto recente, com a fusão de duas empresas, teve de unificar a linguagem visual para 100 mil pessoas. "Rendeu até um livrinho que nasceu best-seller, né?", brinca. "Nessas horas eu pergunto: até onde a empresa quer chegar? Pode barba? Pode piercing? E os diretores respondem que é uma questão de bom senso. Não mesmo. É uma questão de códigos. E eles suam para responder."

A consultora se perte com o pudor das companhias em mexer com a roupa e o estilo de seus funcionários. "Eles são capazes de dizer quanto você vai ganhar, quando você tira férias, mas não conseguem estabelecer o que os funcionários devem vestir porque toca no mais íntimo das pessoas. Então precisam de uma pessoa de fora, como eu, para fazer isso."

Há um tempo, lembra, um banco a chamou porque queria estabelecer regras para o "casual friday". O dono da instituição achava que seus executivos já se vestiam mal normalmente, imagine então com as rédeas mais soltas. Gloria fez uma "psicanálise" com o banqueiro para criar os parâmetros. "Aí eu comecei. Pode jeans? Ele respondeu que não. Pode calça de gabardine? Não. Só camisa? Não. Blazer sem gravata? Não. Bom, então não pode 'casual friday'." Ela acabou fazendo uma palestra para explicar por que o banco não ia liberar o terno nas sextas-feiras. "O banqueiro tinha medo que os clientes pensassem que o dinheiro deles seria tratado de forma diferente nesse dia."

Enfim é feita a mudança da mesa. A fotógrafa se posiciona e depois de alguns disparos de flash pede que Gloria tire seus inseparáveis óculos escuros. Há a incidência de luz de uma janela e muito reflexo nas lentes.

- É raro, tá? Depois vou colocar de novo.

Ela diz que não enxerga, nem de longe, nem de perto. O que ela tem? Quantos graus? "Não faço a mínima ideia. Só sei que minhas lentes são multifocais." A fotógrafa aproveita ao máximo os momentos exclusivos com aqueles olhos azuis.

Gloria não é saudosista e diz ter de fazer um esforço para lembrar dos dez anos que esteve à frente da Fiorucci. "Muita gente me pergunta por que eu não toquei outra marca. Eu pego o primeiro cavalo que passa, mas não monto nele duas vezes. Quem olha para trás vira estátua de sal." Ela trabalhava na Abril quando conheceu por intermédio de amigos o empresário José Kalil Filho, com quem foi casada por 11 anos. A família do moço era dona de uma tecelagem e estamparia, a Scala D'Oro. Seu cunhado, Jorge, a convidou para ir trabalhar na empresa. E lá foi ela com a bagagem de jornalista. "Eles precisavam de informação de moda. Eu viajava, via o que seria usado nas próximas estações. Voltava e escolhia a cartela de cores, estabelecia os estampados da próxima estação."

Já com óculos escuros de novo, Gloria conta que a Scala D'Oro era uma fabricante de tecidos para alta-costura que eram vendidos em lojas. Mas, nas viagens que fez para Milão e Paris, viu que o prêt-à-porter ganhava força. "Começamos a mudar a fábrica para o jeans e o algodão e foi um sucesso. Passamos a fornecer, então, para a indústria de vestuário." Até que um dia chegou à fábrica Luiz Cezar Fernandes (fundador dos bancos Garantia e Pactual) com o amigo Elio Fiorucci. Ele queria mostrar que conhecia a indústria têxtil para convencer o italiano a deixá-lo trazer a marca para o país. "Mas quem acabou fazendo negócio fomos nós. Nos tornamos uma concessionária do uso da marca e o Luiz acabou sendo sócio em algumas lojas."

Foi um período que exigiu total "flexibilidade" de Gloria. As importações eram proibidas e ela tinha de fabricar localmente as peças. "Eu trazia os moldes das calças da Itália. Mas imagine arrumar um fornecedor para um maiô de borracha ou pedir para a indústria de nylon, que fornecia só para o Exército, que fizesse metragens em pink ou turquesa?" Por isso Gloria considera que a Fiorucci teve um papel significativo para a moda no país. "Os fornecedores ampliaram sua forma de atuação e todo mundo se beneficiou. A Fiorucci já tinha o conceito de 'lifestyle'. Fizemos desdobramentos de produtos, latas, agendas, cortinas de chuveiro." De 1980 a 86, diz, a Fiorucci reinou sozinha. Ao mesmo tempo, abriu caminho para que outras marcas que estavam na "porta de entrada" também decolassem, como Zoomp, Forum.

No auge da marca, Gloria se separou, ficou com o sobrenome, mas continuou pidindo o escritório com o ex-marido (compartilhamento que mantêm até hoje, por sinal). Eles chegaram a ter 13 lojas próprias, 17 franquias e 150 pontos de venda no país, quando a Fiorucci pediu concordata na Itália. "Íamos muito bem no Brasil, mas a sede, não. Demos um tempo para os franqueados, fabricamos o básico para atender às multimarcas e depois fechamos tudo."

Hora de escolher. Gloria pede uma das especialidades da casa, um cheeseburguer, mas sem pão. E uma saladinha verde para acompanhar. Os bolinhos já tinham dado conta dos carboidratos.

Quando ficou sem grife, Gloria decidiu ser consultora. Seu primeiro cliente foi o Senac. Ela começou palpitando na programação dos cursos de moda, aproximando-os das necessidades do setor. "Eles usavam uns vídeos nas aulas e um dia a diretora me pediu para fazer um sobre estilo." Na reunião de apresentação, estava Quartim de Moraes, da Editora Senac. Em determinado momento, ele interrompeu sua longa apresentação. "Ele disse que aquilo era o 'E o vento levou da moda'. Falou que eu não tinha um vídeo, mas um livro. Só faltava escrevê-lo."

O "Chic", guia de moda e estilo, foi lançado em 1996 e logo se tornou sucesso de vendas. "Depois veio o 'Chic Homem', de moda masculina e o 'Chiquérrimo', que já unia moda e etiqueta." Gloria lançou ainda o "Alô Chics" e no ano passado "Viajante Chic". "Escrevi cinco best-sellers, sem a menor pretensão."

Seu nome ganhou mesmo as massas quando estreou um quadro no programa de Ana Maria Braga e, logo na sequência, lançou seu site pioneiro de moda, em 2000. A popularização se completou com o quadro de etiqueta no "Fantástico". Depois de ter passado por todas as mídias, ela se vê diante do fenômeno das blogueiras. "É uma onda. Blogueira é como boliche. Lembra? Abriu um milhão e depois ninguém mais dava bola." Mas admite que elas têm o papel de informar os lançamentos do varejo e algumas são até "it-girls" de verdade, como Consuelo Blocker, filha de Costanza Pascolato. "Daqui a pouco vai ser outra coisa. Os fenômenos se sucedem na internet."

Ela viveu várias fases com seu site, "desde quando pagavam fortunas para a gente escrever até o período de penúria total", e acredita estar presenciando um momento de depuração da rede. "Eu já ofereci volume de clicagens. Não mais. Não sou Lili, Lelé ou Lulu que tem um milhão de seguidores. Ofereço qualidade, meu olhar, a seleção. Meu nicho é a credibilidade."

Os pratos chegam e as carnes estão no ponto correto. Será que Gloria tiraria os óculos de novo? "Rapidinho." Ana Paula agarra a chance.

O que chama a atenção de Gloria é que a imprensa brasileira, de forma geral, é "arquifavorável e dá um espaço monumental para a moda" que não corresponde a realidade. "A indústria têxtil e as confecções brasileiras foram devoradas pelos tigres asiáticos. Não temos matéria-prima, não temos preço. A legislação do setor é insana, as administrações das empresas não são profissionais e ainda há muita informalidade." Desde os anos 2000, diz, está atenta a esse oba-oba fora de propósito com a moda nacional. "Todo mundo dizia que a moda brasileira era reconhecida lá fora. E eu me perguntava: onde? Eu sabia que não era assim. A gente tinha de baixar a bola. Foi por isso que em 2006 organizei o primeiro seminário 'Fashion Marketing' e o tema era 'a moda brasileira brilha, mas não vende'."

De lá para cá, contudo, o cenário só piorou com o aumento da concorrência. E com um complicador. "A moda não está mais na moda. Não é mais o fenômeno que foi há três décadas. Ela esteve na moda dos anos 80 aos 2000. Ainda tem um rescaldo nos países emergentes, mas, mesmo assim, é só pegar um motoboy e ver que o objeto de desejo dele é um smartphone, não um tênis ou um jeans."

Por isso, Gloria acha que chegou a hora de as semanas de moda decidirem o que têm a dizer. Há mais eventos que empresas representativas. "É um fenômeno brasileiro essa pulverização. São Paulo Fashion Week é a mais interessante porque tem uma variedade de propostas autorais. Minas está focada na mão de obra artesanal e na moda de festa. E o Rio, eles ficam furiosos quando eu digo isso, mas é a modinha, sem risco."

Seria, então, o momento de fortalecimento da moda masculina, uma das frentes de aposta dos grandes grupos de luxo? "Isso só funciona para os bem jovens e para os gays. Heterossexual não quer mudar o modo de se vestir. Não adianta que ele nunca vai usar terno sem manga. O máximo de ousadia é uma polo com golinha pra cima [risos]."

A prestativa gerente Karina Peter oferece o cardápio de sobremesas e recebe uma recusa geral. "Como não posso ser mais alta, tenho só 1,60 metro, não posso engordar. Sempre tive o mesmo peso. O manequim 38 me serve perfeitamente." Isso não impede Gloria de assumir as panelas no fim de semana e preparar risotos e massas com o namorado. Também pratica ginástica três vezes por semana em casa. "Eu odeio, mas preciso. Tenho uma coluna miserável."

E ela sofre nas viagens por isso. No meio de dezembro, por exemplo, vai fazer uma palestra em Luís Eduardo Magalhães, na Bahia. "Vou a Brasília, depois Barreiras e ainda pego a estrada." De uma forma geral, ela tem evitado longos deslocamentos. Exceção feita às datas especiais. Para comemorar seu aniversário e o de Cardoso em 19 e 21 de outubro, foi a Roma e Istambul. "Fomos visitar os dois impérios, o romano e o otomano, o que a humanidade produziu de melhor." Preparou-se para a jornada com a leitura de "O Museu da Inocência", de Orhan Pamuk. É a história de um homem apaixonado por uma mulher que vai guardando tudo o que ela toca, de bitucas de cigarro a guardanapos. "O mais incrível foi visitar o museu que o autor fez das peças dos personagens."

Alguma autoindulgência de aniversário ou Natal na viagem? "Só comprei dois pares sapatos." Gloria diz que com os anos montou um closet muito bem resolvido. "Estou preparada para qualquer situação. Tenho cashmeres de todos os tons de cinza. Calças pretas justa, legging, cenoura. Só não tenho saruel, a mais democrática delas, porque fica mal em todo mundo [risos]." Nenhum objeto de desejo em vista ou pedido especial para o Papai Noel. "Não tenho mais essa volúpia de compras. Não sei se é a moda ou se sou eu." Sua expectativa agora é só com a "deliciosa brisa da Bahia" para refrescar 2014. Ah, espera. Um desejo repentino: "A receita do bolinho de arroz!"