EUA decidem não pagar mais no caso do algodão

Veículo: Valor Econômico

Seção: Brasil

Fonte: Assis Moreira

Cidade: Bali (Indonésia)

 

O representante comercial dos Estados Unidos, Michael Froman, disse ontem ao ministro brasileiro das Relações Exteriores, Luis Alberto Figueiredo, que a futura lei agrícola americana ("Farm Bill"), que está em discussão entre o Senado e Camara dos Deputados, deverá eliminar os subsídios condenados pela Organização Mundial do Comércio (OMC) no contencioso do algodão.

 
Assim, a ideia brasileira, de restabelecer o acordo bilateral do algodão para que o governo americano volte a pagar compensação mensal a produtos brasileiros por causa da manutenção de subsídios ao setor, condenados pela OMC, parece descartada.
 
Os EUA teriam que pagar US$ 147 milhões por ano, segundo acordo firmado pelos dois países em 2010, para que os americanos não fossem retaliados pelo Brasil. O governo brasileiro tinha decidido, na época, impor sobretaxa em mais de cem produtos americanos, além de atacar na área de propriedade intelectual -pagamento por patentes e direitos autorais.
 
Para Figueiredo, se os EUA fizerem o que prometem, eliminam o problema, o que o Brasil quer acima de tudo. Mas ele avisou ao representante americano que, no dia 18, a Câmara de Comércio Exterior (Camex) vai preparar todo o arsenal para eventual retaliação, se necessária. Froman respondeu que compreendia a posição brasileira.
 
Não se sabe quando haverá a nova lei agrícola americana e é difícil imaginar que Washington elimine de vez todos os programas de subsídios condenados pela OMC na briga do algodão. Não será surpresa se o contencioso entre os dois países durar ainda um bom tempo.