Lula tenta neutralizar resistência de empresários à Dilma

Veículo: Valor Econômico

Seção: ValoeInveste

Fonte: Angela Bittencourt

 

O flerte entre empresários e o governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB) mobiliza a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ambos vêm definindo suas agendas na tentativa de neutralizar o distanciamento inconveniente que se impõe entre o setor privado e o Planalto rumo às eleições de 2014. A jornalista Andrea Jubé, do Valor, relata que para compensar a forte resistência do setor à presidente, Lula assumiu o papel de interlocutor do governo com o empresariado que também não nutre simpatia por três expoentes do governo: o ministro da Fazenda, Guido Mantega, o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, e o ministro da Indústria, Comércio e Desenvolvimento, Fernando Pimentel. De um lado, relata a jornalista, Dilma abriu mais espaço na agenda para o setor produtivo. Em outra frente, o ex-presidente assumiu a interlocução com os empresários e filiou lideranças do segmento a partidos aliados, para afinar o diálogo com o governo, e até mesmo com o comando da campanha à reeleição.

 
Lula orientou, pessoalmente, a filiação de Josué Alencar, filho do ex-vice-presidente José Alencar, da Coteminas, expoente da indústria têxtil, ao PMDB. Ajudou a levar José Batista Júnior, do grupo JBS/Friboi, para o PMDB. E levou para o PR o empresário do setor sucroalcooleiro Maurilio Biagi Filho, cotado para a vaga de vice do ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT), que deve disputar o governo de São Paulo.
 
Dilma também deflagrou um esforço de aproximação com o setor privado que os números confirmam. Levantamento realizado pelo consultor Ulisses Rapassi, da Macropolítica, mostra que a presidente praticamente triplicou, de 2012 para 2013, as audiências a empresários, segundo dados da agenda oficial. Neste ano, até outubro, ela se reuniu com 61 representantes do setor produtivo. No mesmo período do ano passado, foram 21 reuniões.
 
No último dia 14, Dilma inaugurou uma fábrica em Itajubá (MG) ao lado do presidente da CNI, Robson Andrade, quando exaltou a parceria do governo com o setor privado. “Ser parceiro da indústria nacional no seu desenvolvimento e na sua expansão é um dos grandes objetivos do meu governo”, discursou. Em março, ela havia lançado o programa de Inovação Empresarial, destinando R$ 32,5 bilhões para as empresas nacionais.
 
Simultaneamente, abriu as portas do palácio para empresários dispostos a anunciar investimentos no país. Entre setembro e outubro, Dilma recebeu executivos da Audi, Mercedes-Benz e Volkswagen, que vão aplicar, juntos, R$ 1,5 bilhão no país. O presidente mundial do Grupo Santander, Emilio Botín, foi duas vezes ao palácio neste ano. Em setembro, divulgou a liberação de US$ 10 bilhões para investimentos em infraestrutura.