Marta ouve protestos de representantes da moda em encontro com o setor

Veículo: Folha de S.Paulo

Seção: Ilustrada

Fonte: Pedro Diniz

 

Representantes de entidades e profissionais ligados à moda questionaram nesta segunda (2/9) a ministra da Cultura, Marta Suplicy, sobre os critérios para aprovação de projetos na Lei Rouanet.

Marta se reuniu som representantes do setor na sede da Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção), em São Paulo.

O objetivo era explicar o uso do mecanismo de incentivo fiscal da Lei Rouanet e apresentar o plano de políticas do ministério para a moda. Mas a aprovação de três projetos que, juntos, autorizam os estilistas Pedro Lourenço, Alexandre Herchcovitch e Ronaldo Fraga a captar R$ 7,4 milhões para seus próximos desfiles deu a tônica do debate.

No último dia 22/8, a Folha revelou que, mesmo após a Comissão Nacional de Incentivo à Cultura --órgão que delibera sobre os pleitos inscritos na Lei Rouanet-- ter indeferido o projeto de desfiles de Lourenço na Semana de Moda de Paris, Marta reverteu a decisão e aprovou o projeto. No mesmo dia, os outros estilistas também receberam o incentivo.

"É importante saber qual é o comprometimento deles [os estilistas beneficiados] com a cadeia produtiva e com a indústria de moda nacional", disse a dona da tecelagem paranaense O Casulo Feliz, Glicínia Setenareski.

Minutos antes, uma representante de uma associação de designers da Paraíba reclamara: "O que eles representam para a cultura de moda brasileira e por que só os designers da região Sudeste foram procurados para participar das reuniões que a senhora organizou com o setor?".

A professora da USP Francisca Dantas Mendes apontou a falta de diálogo com a universidade. "Não houve consulta das instituições de ensino para identificar as demandas do setor. Não entendemos, por exemplo, como esses projetos vão beneficiar a formação de profissionais", disse.

Acompanhada do secretário de Fomento e Incentivo à Cultura, Henilton Menezes, e de representantes da Abit, a ministra respondeu dizendo que está aberta a propostas de novos projetos e que ficaria feliz em ouvir mais representantes do setor da moda.

"É o momento de entendermos a situação e saber o que ainda é preciso ser feito", disse Marta.

Sobre as críticas à escolha dos nomes que dão início à política de incentivo ao setor, a ministra disse à reportagem, durante entrevista coletiva realizada antes da reunião, que "não há protegidos". "O importante é a mídia que seus desfiles vão gerar para o Brasil."

 

GOOD LUCK

Durante seu discurso, ela citou o filme "O Diabo Veste Prada" (2006) como exemplo para explicar a importância da cadeia produtiva na moda. "É interessante como, num dos diálogos, a personagem [de Meryl Streep, que interpreta uma editora de revista de moda] mostra todo o processo envolvido na confecção de uma roupa", disse a ministra.

Nos corredores da Abit, Marta encontrou o estilista Pedro Lourenço. Depois de posar ao seu lado para fotos, desejou-lhe "good luck" ("boa sorte", em inglês) na execução do projeto.

O estilista acompanhou todo o discurso em pé, na entrada da sala de reuniões. Seus colegas Alexandre Herchcovitch e Ronaldo Fraga não compareceram.
 

MODA PRAIA

Além dos desfiles de prêt-à-porter feminino, o ministério também planeja oferecer incentivo fiscal, via Lei Rouanet, para desfiles de moda praia.

Na última sexta-feira (30), em encontro com empresários --entre eles Paulo Borges, fundador da São Paulo Fashion Week, e Benny Rosset, dono da grife de "beachwear" Cia. Marítima--, Marta Suplicy ouviu sugestões sobre como incluir o segmento no bolo dos incentivos.

"Nosso biquíni é o mais importante e copiado do mundo. Temos que pensar estratégias para incentivar marcas a desfilarem em Miami, por exemplo, que é a maior vitrine de moda praia no mundo", disse Rosset à Folha.