Receita da Hering sobe 16,2%, mas lucro cai 1,2% no primeiro trimestre

Veículo: Valor Econômico

Seção: Empresas
 
Por Tatiane Bortolozi, Natália Viri e Andréa Licht | De São Paulo
 
O lucro líquido da varejista Hering recuou 1,2% de janeiro a março, na comparação com igual período do exercício anterior, para R$ 69,4 milhões. A receita líquida avançou 16,2% no primeiro trimestre, para R$ 379,7 milhões. Os custos com vendas subiram 19,9%, para R$ 209,6 milhões, e as despesas com vendas totalizaram R$ 58 milhões, alta de 9,9%.
 
O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) aumentou 13,6%, em bases anuais, para somar R$ 102,2 milhões.
 
O aumento de 16% na receita bruta da Hering no primeiro trimestre foi impulsionado principalmente pela abertura de lojas. As vendas das unidades abertas há mais de um ano ("mesmas lojas") da rede Hering Store recuaram 0,8% nos três primeiros meses frente ao mesmo período de 2012, seguindo o recuo já verificado no fim do ano passado.
 
Segundo o relatório que acompanha as demonstrações financeiras da companhia, problemas com estoques estiveram por trás do desempenho orgânico fraco do período.
 
"A queda nas vendas no critério 'mesmas lojas' foi explicada pela menor oferta de promoções nos meses de janeiro e fevereiro, período em que tipicamente é realizada liquidação todo ano, em função dos baixos níveis de estoques da rede", informou a administração no documento.
 
A Hering vem apresentando problemas em abastecer sua cadeia de lojas desde meados do ano passado. No quarto trimestre, as vendas "mesmas lojas" da companhia já haviam recuado 0,2%, refletindo o descasamento entre a demanda aquecida e dificuldades da empresa em abastecer os estoques dos franqueados.
 
Ainda de acordo com a direção, o indicador mostrou "melhora expressiva" a partir da introdução da coleção de outono, ao fim do primeiro trimestre.
 
A normalização dos estoques, a expectativa de um inverno mais frio do que o ano passado e a boa receptividade da coleção de outono inverno fazem a varejista têxtil ser mais otimista para o segundo trimestre de 2013. Nem a inflação preocupa nos próximos dois trimestres.
 
"A inflação não está jogando contra no curto prazo. As temperaturas baixas no inverno são mais determinantes nas vendas", diz o diretor financeiro da Hering, Frederico Oldani.