Mercosul e UE vão esperar Paraguai para fazer nova troca de ofertas

Veículo: Valor Econômico

Seção: Brasil
 
Por Assis Moreira | De Genebra
 
Com a eleição do novo presidente do Paraguai no fim de semana, o país deve ser reintegrado no Mercosul e isso deverá se refletir logo nas negociações entre o bloco e a União Europeia (UE). Numa reunião em janeiro, em Santiago, a UE e o Mercosul (sem o Paraguai) acertaram que nova troca de ofertas de liberalização ocorreria até o quarto trimestre. O prazo fixado foi amplo, precisamente para esperar a eleição e a volta do Paraguai no bloco do Cone Sul.
 
A expectativa entre negociadores é de que a partir de agosto a preparação das novas ofertas poderá ser acelerada. Embora tenha peso leve no comércio, a participação paraguaia é considerada saudável porque o país sempre defendeu a conclusão do acordo com os europeus.
 
Os europeus têm sinalizado que sua oferta agrícola será melhor do que a última que fez, em maio de 2004. Por sua vez, do lado brasileiro, as últimas consultas ao setor privado mostram um interesse bem maior pela negociação com os europeus. "Fizemos progressos na última reunião em Santiago e acredito que poderemos trocar ofertas no segundo semestre", disse o embaixador brasileiro na UE, Ricardo Neiva Tavares.
 
Em 2004, a UE tinha oferecido cota para produtos mais sensíveis, como carnes, com margem de preferência de 50%, dividida em duas parcelas: a primeira, imediatamente após a assinatura do acordo e a segunda após a conclusão da Rodada Doha. Por sua vez, o Mercosul tinha melhorado sua oferta em bens, elevando de 87,8% para 90% a cobertura de produtos incluídos no cronograma de liberalização, incorporando têxteis e siderúrgicos.
 
A UE continua negociando acordos regionais para expandir negócios e compensar a estagnação de seu mercado. Nesta semana a UE faz também mais uma rodada de negociações com a Índia em vista de um acordo de livre comércio. Mas a discussão é complicada por causa da política indiana que protege sua indústria de genéricos.
 
Na América Latina, os europeus têm acordos comerciais com o Chile, Colômbia, Peru e México, por exemplo, que foram facilitados pelas poucas exportações agrícolas para o mercado europeu.