Benefícios fiscais não são suficientes para o setor têxtil

Veículo: Jonal O Tempo

 
JULIANA GONTIJO
 
Apesar dos pacotes de benefícios concedidos pelo governo federal, o último em abril do ano passado, a indústria têxtil brasileira vem perdendo em competitividade para os asiáticos, em especial, os chineses. Na ocasião, o ministro da fazenda Guido Mantega anunciou a desoneração de 20% da contribuição patronal sobre a folha de pagamentos de empresas de treze setores industriais, entre eles, o têxtil, em troca de uma tributação de 1% sobre o faturamento.
 
A renúncia fiscal anual para o segmento têxtil foi R$ 550 milhões e de confecções, couro e calçados, R$ 632 milhões. 
 
Para o presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Aguinaldo Diniz Filho, a indústria nacional é competitiva dentro da fábrica, porém fora dela tem que encarar os diversos encargos, o custo Brasil. "Eu queria ver uma indústria chinesa aqui, convivendo com os custos brasileiros", diz.
 
Durante audiência pública, ontem, na Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais, o dirigente também apontou os incentivos do governo chinês como um dos motivos para a superioridade competitiva do país asiático. "Lá há mais de 128 tipos de incentivos", observou.
 
Diniz Filho afirmou que a indústria nacional quer condições igualitárias de competição. "O Brasil vem perdendo competitividade. Afinal, temos a carga tributária mais alta do mundo. A energia, apesar da medida do governo de redução, é a terceira ou quarta mais alta do mundo", reclama.
 
O presidente do Sindicato das Indústrias Têxteis de Malhas no Estado de Minas Gerais (Sindimalhas-MG), Flávio Roscoe, afirma que é impossível competir hoje com os chineses com condições tão diferentes entre os países. "O subsídio do governo chinês chega a 40%, fora o câmbio favorável. A concorrência desleal não vem de hoje, mas dos últimos 20 anos. A indústria nacional está definhando", reclama.

 

 

Alívio. Setor têxtil teve desoneração da folha de pagamento, mas ainda não é competitivo
VICTOR SOARES/ABR