PT convida filho de Alencar para chapa de Pimentel

 

Veículo: Valor Econômico
Seção: Política
 
Por Marcos de Moura e Souza | De Belo Horizonte
 
O PT convidou o empresário Josué Gomes da Silva, da Coteminas, para ser candidato ao Senado por Minas Gerais ou para disputar como vice de Fernando Pimentel - atual ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio - o governo do Estado em 2014. A fórmula apresentada ao empresário estaria vinculada a uma futura composição com o PMDB. Se os pemedebistas ficarem com a vice de Pimentel, por exemplo, Silva disputaria o Senado. E vice-versa.
 
Luis Ushirobira/Valor / Luis Ushirobira/Valor
Josué Gomes da Silva, presidente da Coteminas: meia dúzia de partidos já ofereceram filiação, mas os petistas trabalham pela adesão do empresário ao PMDB
 
Filho do ex-vice-presidente da República José Alencar (morto em 2011), Silva vem mantendo conversas com petistas desde o fim do ano passado. Mas parece ainda não ter tomado uma decisão sobre o papel que terá nas próximas eleições. Além de petistas, o empresário também tem falado com lideranças do PMDB que sonham em tê-lo em seus quadros. O PMDB também fala em dar a ele a vaga para disputar o Senado.
 
O que o empresário tem dito é que é um "soldado" do projeto de reeleição da presidente Dilma Rousseff. "Eu tenho lado. Você sabe qual é o meu time", disse recentemente, segundo um interlocutor do empresário contou ao Valor.
 
Josué Gomes da Silva nunca disputou eleição. Mas costuma dizer que considera a atividade política uma das mais nobres pelo poder que encerra de transformar a realidade. Seu pai, fundador da Coteminas, foi do PMDB, do PL e fundador do PRB. Em 2002, foi eleito vice-presidente de Luís Inácio Lula da Silva. Virou membro honorário do PT.
 
Nas conversas com Silva, petistas avaliam que o melhor seria que ele se filiasse não ao PT, mas a um partido aliado com um razoável tempo de propaganda gratuita no rádio e na TV e que ajudasse a ampliar a aliança do PT e do PMDB para a recondução de Dilma e a eleição de Pimentel em Minas. A escolha dessa terceira legenda seria feita em combinação com o PT, segundo se diz no partido.
 
Silva tem boas relações no PT, no PMDB, no PRB, em outras legendas da base de Dilma e também da oposição. A reportagem procurou o empresário para tratar de seus eventuais planos na política, mas não conseguiu falar com ele, que está no exterior.
 
A entrada de Josué Gomes Silva na política começou a ser defendida no ano passado por setores do PMDB mineiro. A hipótese que chegou a ser cogitada então era que ele fosse lançado candidato a governador. Armando Costa, velho amigo de José Alencar e ex-presidente do PMDB mineiro, foi quem puxou o coro em favor do empresário.
 
"O PMDB tem muito mais a ver com a história do pai dele e o deixaria numa posição muito confortável", diz o atual presidente do PMDB em Minas, o deputado federal, Saraiva Felipe. Recém-empossado no comando da legenda, o deputado disse que ainda não se reuniu com o empresário. "Eu não, mas várias pessoas do partido já estiveram com ele."
 
"As conversas estão andando e nós já estamos contando com a filiação dele". Sobre o cargo que o empresário poderia vir a disputar em 2014, Felipe diz que ainda é muito cedo para tratar disso. Mas, afirma: "Ele poderia vir a ser candidato ao Senado". A hipótese de Silva disputar o governo de Minas seria mais complexa porque setores da sigla já lançaram o senador Clésio Andrade. O partido, no entanto, está longe de tomar uma decisão sobre candidatura própria. O mais provável hoje é uma aliança com o PT.
 
De qualquer forma, Saraiva Felipe expõe o interesse no presidente da Coteminas: "O Josué é um nome de peso, seria muito importante para o partido e participaria de grandes projetos."
 
No caso do PT, o ministro Fernando Pimentel, nome mais forte do partido hoje para disputar o governo de Minas, considera Josué Gomes da Silva "excepcional" para entrar nas eleições ao seu lado, segundo um parlamentar próximo.
 
Se vier a disputar uma vaga no Senado, apoiando a candidatura de Pimentel e de Dilma, Silva teria como adversário o atual governador de Minas, Antonio Anastasia (PSDB), tido como provável candidato tucano a senador.
 
O presidente do PT em Minas Gerais, deputado federal Reginaldo Lopes, esbanja elogios ao empresário. "O potencial eleitoral do Josué está associado ao patrimônio político deixado por José Alencar, à boa imagem que ele tem como empreendedor e ao carisma que também é muito parecido com o do ex-presidente."
 
Esses traços e a aparente disposição de Silva de seguir a trajetória do pai na política, animam não só PT e PMDB. Meia dúzia de partidos já fez chegar a ele algum tipo de sondagem sobre seu interesse em entrar para seus quadros, segundo um amigo do empresário ouvido pelo Valor.
 
Silva tem seis meses para decidir se aceita os clamores do meio político mineiro para disputar algum cargo eletivo no ano que vem. Futuros candidatos precisam ter no mínimo um ano de filiação a um partido antes das eleições de outubro.
 
Sua eventual escolha pela política passa por outra decisão: como conciliar a direção da empresa e sua participação em entidades empresariais com o tempo que ele terá de dedicar a uma campanha e talvez a um cargo eletivo.
 
Silva é o principal executivo da Companhia de Tecidos Norte de Minas, Coteminas. Assumiu o cargo de superintendente geral em 1996, quando José de Alencar deixou o posto que ocupara desde a fundação da empresa em 1967.
 
O grupo Coteminas, de 15 mil funcionários, tem 22 fábricas - 15 no Brasil, 5 nos Estados Unidos, 1 na Argentina e outra no México. Em 2012, a empresa teve uma receita líquida de R$ 2,04 bilhões, o que representou um aumento de 17% em relação a 2011. O resultado operacional cresceu 59,7%, indo a R$ 120,6 milhões. O lucro líquido da empresa, no entanto, encolheu em relação a 2011, de R$ 105,1 milhões para R$ 90 milhões. A empresa, que é controladora da Springs Global e da Santanense tem ações negociadas da Bolsa de Valores de São Paulo.
 
Além de suas atividades no comando da empresa, Silva é desde o ano passado presidente da International Textile Manufacturers Federation (ITMF), fundador e presidente do conselho da Cantagalo General Grains, empresa de agronegócio controlada pela Coteminas, e membro dos conselhos da Embraer e da Petrobras. É também um dos vice-presidentes da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).
 
Apesar de sua agenda ser dominada pelo mundo corporativo, Josué Gomes da Silva passa a impressão a políticos com quem conversa de que a atividade que o pai abraçou já o capturou. "Ele já está na política, se vai se candidatar ou não em 2014, é outra coisa", diz um político mineiro conhecido dele.