Consequências às empresas e empregados não são consenso

Veículo: Jornal de Santa Catarina
Seção: Economia

Os sábados exigem de Elisabete Amaro, 42 anos, uma solução para que o pequeno Paulo Daniel, três anos, tenha onde ficar. Por conta da falta de expediente das creches durante os sábados, o marido de Elisabete, que também é trabalhador têxtil, precisou de liberação no trabalho para diluir entre os dias da semana as quatro horas que seriam feitas no sábado pela manhã.

– Eu estou disposta a trabalhar um pouco a mais durante a semana para folgar aos sábados – conta Elisabete, que é costureira.

A produção não teria uma queda por conta da motivação dos trabalhadores, afirma a presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústrias de Fiação e Tecelagem de Blumenau, Gaspar e Indaial, Vivian Bertoldi. Mais felizes e motivados, eles produziriam mais.

A preocupação da classe empresarial é que o aumento dos custos de produção provocado por uma redução de jornada, somado à elevada carga tributária, falta de isonomia com concorrentes internacionais e outros aspectos econômicos comprometam os negócios.

– É preciso enxergar a longo prazo como ficará a saúde dessa empresa. Quem trabalha numa empresa que não está bem, não fica tranquilo – pondera Rui Altenburg, vice-presidente para Assuntos Estratégicos da Federação da Indústria do Estado de SC.

Especialistas divergem sobre futuro das indústrias

A jornada menor seria um ganho de bem-estar aos trabalhadores, mas, por outro lado, representaria perda de competitividade para o empregador, opina o doutor em Ciências Contábeis e Administração Jorge Eduardo Scarpin.

– As empresas não vão quebrar por conta disso, mas podem ficar menos competitivas e atrapalhar os planos de crescimento. Ou, no pior dos mundos, mudar as fábricas para outras cidades – acredita.

Por outro lado, o coordenador do Sistema de Informações Gerenciais e de Apoio à Decisão (Sigad) da Furb e mestre em Desenvolvimento Econômico, Nazareno Schmoeller, acredita que Blumenau poderia usar a redução da jornada em benefício da imagem do que é produzido na cidade.
 

 

GILMAR DE SOUZA