Brasil deve ter primeiro déficit comercial no 1º tri desde 2001

Veículo: Valor Econômico
Seção: Brasil

Por Lucas Marchesini | De Brasília

A balança comercial brasileira registrou déficit de US$ 448 milhões na terceira semana de março. Com esse resultado, no ano, o saldo está negativo em US$ 5,526 bilhões. No mesmo período do ano passado, o saldo da balança comercial foi positivo em US$ 1,127 bilhão. A última vez que a balança comercial registrou déficit no primeiro trimestre foi em 2001, com resultado negativo de US$ 672,9 milhões. Naquele ano, foram US$ 13,8 bilhões em exportações e US$ 14,4 bi em importações.

De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), o resultado da terceira semana de março resultou de US$ 4,155 bilhões em exportações e US$ 4,603 bilhões em importações. Com o dado da segunda semana, a balança comercial acumula déficit de US$ 212 milhões em março. A média diária de US$ 899 milhões nas exportações de março até a terceira semana é 5,4% inferior à média diária de US$ 950,5 milhões dos embarques realizados em todo o mês de março do ano passado.

Essa queda é explicada pelo menor embarque de produtos básicos e manufaturados. As exportações de produtos básicos caíram 9,4%, de US$ 460,8 milhões da média diária de março de 2012 para US$ 417,3 milhões até a terceira semana deste mês, por conta, principalmente, de petróleo em bruto, farelo de soja, algodão em bruto, fumo em folhas e trigo em grão.

Nas commodities agrícolas, todo o complexo soja registrou, até a terceira semana, volume médio de exportações inferior ao de março de 2012. Na média, o volume de soja em grão está 14% menor, o de farelo, 42% inferior, e para óleo, a retração em quantidade chega a 79%. De 23 commodities agrícolas e industriais analisadas pelo Mdic, 11 estão com um volume médio de exportação inferior ao de março do ano passado. Em preço, 13 das mesmas 23 estão com preço médio inferior ao de igual mês de 2012.

No caso de manufaturados, os embarques apresentaram redução de 9% na comparação da média diária acumulada neste mês (US$ 326,9 milhões) com março do ano passado (US$ 359,2 milhões). As maiores retrações foram nas vendas de bombas e compressores, veículos de carga, máquinas p/ terraplenagem, óxidos/hidróxidos de alumínio, pneumáticos e polímeros plásticos.

Já para os semimanufaturados, a média subiu 20,4%, passando de US$ 109,1 milhões em março de 2012 para US$ 131,3 milhões no acumulado deste mês. O resultado se deve ao maior embarque de catodos de cobre, açúcar em bruto, ferro fundido, alumínio em bruto, couros e peles, celulose e ouro em forma semimanufaturada.

Na outra ponta, as importações aumentaram 6,9% até a terceira semana de março, com média diária de US$ 918,3 milhões, ante US$ 858,7 milhões em todo o mês de março do ano passado. Nesse mês, ao contrário do que aconteceu em janeiro e fevereiro, as importações de combustíveis não foram atípicas - elas ficaram 2,9% inferiores as de março de 2012, pela média diária.

Nessa comparação, houve aumento de gastos com adubos e fertilizantes (59,9%), cereais e produtos de moagem (33,4%), siderúrgicos (15,1%), plásticos e obras (14,8%), aparelhos eletroeletrônicos (10,8%) e instrumentos de ótica e precisão (9,6%).