Investimento estrangeiro direto cai na China

 

Veículo: Valor Econômico
Seção: Internacional
 
Por Bloomberg

Em 2012, os investimentos estrangeiros diretos (IED) na China caíram pela primeira vez desde 2009, com a desaceleração do crescimento da economia e com a migração dos fabricantes para mercados dotados de mão de obra mais barata. A queda contrasta com os gastos chineses em investimentos diretos externos, que dispararam para um valor recorde.

O ingresso de IED na China recuou 4,5% em dezembro, comparativamente ao mesmo período do ano anterior, para US$ 11,7 bilhões, segundo dados do Ministério do Comércio chinês divulgados ontem em Pequim. Foi a 13ª retração num período de 14 meses. No ano como um todo, o afluxo de recursos caiu 3,7%, para US$ 111,7 bilhões, enquanto os investimentos não financeiros chineses no exterior aumentaram 28,6%, para US$ 77,2 bilhões.

A China está pouco a pouco ficando menos atrativa como destino de fábricas, diante da alta dos custos. O país, ao mesmo tempo, canaliza parte de seus US$ 3,3 trilhões em reservas cambiais para investimentos no exterior. A guinada dos investimentos externos diretos poderá beneficiar países como a Indonésia e o Vietnã, entre outros, segundo o HSBC Holdings. "É uma tendência inevitável os custos da mão de obra continuarem subindo na China", disse Shi Lei, analista da corretora Founder Securities em Pequim.

A entrada de investimentos externos diretos deve ser comparada com a queda de 5,4%, para US$ 8,3 bilhões, registrada em novembro. Os investimentos diretos da China no exterior aumentaram 25%, para US$ 62,5 bilhões, nos 11 primeiros meses de 2012.

A relevância dos investimentos estrangeiros diretos na China está diminuindo num momento em que os dirigentes do país, a segunda maior economia mundial, ampliam seus gastos em infraestrutura doméstica e diante da expansão interna do crédito. A participação de recursos externos no total dos investimentos em ativos fixos na China caiu do pico de 11,8%, computado em 1996, para 1,5% em 2011, segundo dados divulgados pelo Departamento Nacional de Estatística chinês.

Fabricantes globais com uso intensivo de mão de obra estão deixando a China e se instalando em outros países asiáticos, disse Trinh Nguyen, economista do HSBC Holdings de Hong Kong. Os ingressos em investimentos do setor têxtil na China encolheram 18,9% nos três primeiros trimestres de 2012.

Os investimentos diretos da China no exterior deverão ultrapassar os ingressos de aplicações diretas no país dentro de um ano, segundo Shen Jianguang, economista-chefe para a Ásia da Mizuho Securities Asia. O órgão regulador cambial chinês informou na segunda-feira que criou uma nova divisão para empregar as reservas do país, as maiores do mundo, no apoio a empresas chinesas no exterior.

O governo chinês divulgará amanhã dados sobre o Produto Interno Bruto (PIB) do quarto trimestre, sobre a produção industrial, sobre as vendas de varejo de dezembro e sobre os investimentos em ativos fixos do ano como um todo. O crescimento da economia chinesa deve ter se acelerado para 7,8% no período outubro-dezembro, em comparação com o mesmo intervalo de 2011, segundo pesquisa da Bloomberg News.


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