Estocagem chinesa de algodão leva tecelagens a buscar importação

Veículo: O Estado de S. Paulo
Seção: Economia
 
DAVID STANWAY E NIU SHU - Reuters

ING - A agressiva política de estocagem de algodão na China elevou os preços domésticos, forçando a maior indústria têxtil do mundo a aumentar suas importações de fio de algodão, enquanto a produção se move para o sudoeste da Ásia, atraída pelos custos mais baixos da região.

As políticas de estocagem de Pequim, lançadas em 2011 e concebidas para apoiar os agricultores, têm segurado os preços domésticos do algodão cerca de 40 por cento acima dos níveis mundiais, enquanto o país acumula reservas estimadas por traders em aproximadamente 10 milhões de toneladas.

No entanto, enquanto ajuda os produtores, a medida tem prejudicado as tecelagens chinesas, retirando os suprimentos do mercado doméstico e forçando-as a depender de importações.

As fábricas têxteis da China estão se voltando para países vizinhos como Índia e Paquistão para comprar fio de algodão. As importações do produto, ao contrário do algodão bruto, são livres dos duros limites de cota de Pequim e custam cerca de 2 mil yuan (160 dólares) a menos por tonelada do que os produtos domésticos, disseram traders.

As importações chinesas de fio de algodão aumentaram 56 por cento de setembro a novembro de 2012, para 409.877 toneladas, na comparação com o mesmo período em 2011. Os dados sobre dezembro ainda não estão disponíveis.

As fábricas na China também estão enfrentando um aumento nos custos de mão de obra, com muitas delas tendo vendido suas máquinas de fiação para unidades na Malásia, Paquistão e Vietnã, disse Philip Wu, gerente geral para a China da importadora Icotton, sediada em Hong Kong.

"Muitas das fábricas de lá são de propriedade de chineses", acrescentou Wu. "Nós esperamos ver a maior realocação de fábricas têxteis da história nos próximos três a cinco anos, depois do que a China começará a importar produtos têxteis."

(US$1=6,2165 yuan)

(Reportagem adicional de Josephine Mason em Nova York)