Em SC, setor têxtil está aquecido, mas vai parar dez dias

Veículo: Valor Econômico
Seção: Brasil

Por De São Paulo

No polo têxtil de Santa Catarina, empresas e sindicatos relatam um nível de demanda mais aquecido, o que não mudou, no entanto, os planos de férias coletivas tradicionalmente concedidas no fim do ano. Com sede em Joinville, a Döhler vai parar dez dias nas proximidades do Natal e do Ano Novo, mesmo com um volume de pedidos maior para atender, caso que, de acordo com o Sinditex, representante dos trabalhadores do setor, se repetiu nas outras cinco grandes indústrias da cidade.

"Acredito que sempre vai haver férias coletivas no fim do ano, independentemente da demanda", diz Gerson Cipriano, vice-presidente do Sinditex. Segundo Cipriano, 95% das empresas da região já enviaram seus pedidos de férias coletivas, que têm de ser avisadas com 15 dias de antecedência, e o número de dias de produção parada se iguala ao do fim de 2011.

Segundo Carlos Alexandre Döhler, diretor-comercial da empresa têxtil e de confecções, a companhia não concedia férias coletivas a seus funcionários há três anos, mas neste ano resolveu voltar a parar por dez dias, mesmo estando com a "fábrica vendida e a produção tomada", por acreditar que o período de descanso é importante para os trabalhadores. "Apesar de estarmos passando por um momento muito bom, vamos parar por uma questão de foro pessoal."

O presidente do Sintex (sindicato que reúne as indústrias de tecelagem e vestuário de Blumenau), Ulrich Kuhn, relata estabilidade nas férias coletivas dos funcionários das cerca de 60 empresas associadas, em um período entre dez e 20 dias, o que, para ele, já pode ser considerado "uma surpresa positiva", dado o ano difícil que o setor atravessou. De janeiro a outubro, de acordo com o IBGE, a produção de vestuário e acessórios encolheu 7,9% em Santa Catarina em relação a igual período de 2011.

"Há uma demanda maior natural para o período de fim de ano, mas nada que crie um grande entusiasmo, em função de um ano que não foi muito brilhante", diz. Segundo Kuhn, as vendas estão com bom desempenho "na ponta", mas ainda há incertezas quanto ao início de 2013.

No Ceará, o Sindicato da Indústria de Fiação e Tecelagem de Maracanaú, principal entidade representativa do setor no Estado, informou que as fábricas vão manter neste ano os mesmos 20 dias de férias coletivas concedidos em 2011. No entanto, uma das principais fabricantes da região, a Têxtil Bezerra de Menezes (TCM), não vai parar. (AM; colaborou Murillo Camarotto, de Recife)