Dilma pede investimento de presente a empresários

Veículo: Valor Econômico
Seção: Brasil

Por Assis Moreira | De Moscou

"O presente que quero de vocês é mais investimentos no Brasil." Foi dessa forma a presidente Dilma Rousseff reagiu ontem, quando um grupo de empresários brasileiros se antecipou ao seu aniversário, hoje, e cantou o "Parabéns para Você" no fim de um encontro informal, no elegante hotel Ritz de Moscou. Segundo relato de um participante, a resposta dos empresários foi de que vão investir, sim. O pedido da presidente ocorreu justamente na véspera de um seminário entre empresários brasileiros e russos na busca de investimentos em ambos mercados.

À noite, depois de assistir ao "Lago dos Cisnes", no Balé Bolshoi, a presidente foi jantar no restaurante Bolshoi, nas proximidades, com outros oito convidados, incluindo sua filha, onde comemorou seu aniversário. A fatura foi dividida igualmente. "Cada um pagou US$ 400", contou o senador Luiz Henrique (PMDB-SC). Ou seja, a fatura total foi de US$ 3.600. A pianista tocou o "Parabéns para Você". Ao retornar ao hotel, já depois da meia-noite, a presidente disse ao ser indagada se tinha comemorado o aniversário: "Eu não nasci aqui, eu nasci lá [no Brasil]."

Um grupo de 15 homens de negócios, dos quase cem que se deslocaram a Moscou para acompanhar a delegação brasileira, foi convidado para um café com a presidente. Estavam presentes os mais diversos setores - carnes, têxtil, brinquedos, transporte e infraestrutura, entre outros. Dilma praticamente só falou da relação com a Rússia, oportunidades e desafios. Os empresários por sua vez abordaram suas situações específicas.

Ela só teve um compromisso ontem, com o primeiro-ministro Dimitri Medvedev. Hoje, se encontrará com quem realmente manda, o presidente Vladimir Putin. Também fechará um seminário com empresários dos dois países.

É provável que Dilma e Putin examinem a situação econômica de seus próprios países. Ao contrário do Brasil, que espera ver o crescimento passar de 1% neste ano para 4% no ano que vem, a Rússia deve ter baixa de cerca de 4% para 3,5% no período.

Para analistas a Rússia vai crescer menos, mas melhor. A expansão econômica será mais equilibrado e sustentável. O motor da economia russa tem sido o consumo privado dopado por crédito fácil. O financiamento ao consumidor cresceu mais de 40% em 2011 e deve fechar em 46% de alta neste ano. O aumento desse tipo de crédito explica quase 45% do crescimento no gasto de consumo nos últimos dois anos. Nunca antes o crédito ao consumo foi tão importante como motor da expansão.

Isso ocorreu, entre outras razões, com a melhora de ofertas de produtos bancários e expansão de redes de bancos de varejo nos mercados regionais. A penetração bancária era baixa, comparado aos padrões internacionais.

Analistas acham que há saturação de crédito em alguns segmentos, o que pode causar ligeira desaceleração. Na medida em que o crédito ao consumo cair para algo entre 25% a 30% em 2013, o Banco Central russo tende também a flexibilizar a dura ação macroprudencial no segundo trimestre.

Além do crédito, o consumo privado na Rússia tem sido sustentado pelo crescimento dos salários. A recuperação econômica e os desafios demográficos, com uma força de trabalho estagnada, causaram um aperto no mercado de trabalho. Houve generosos aumentos salariais no setor público, especialmente para militares, polícia, setor hospitalar e educação, antes das eleições. O crescimento salarial do setor público, que representa mais de 25% dos empregos no país, variou de 20% a 25% por ano. Agora, com gradual ajuste fiscal, os salários no setor público continuarão a ser superiores os do setor privado, mas num ritmo menor.