Dilma quer maior integração com Argentina

Veículo: Valor Econômico
Seção: Brasil

Por Gabriela Antunes | Para o Valor, de Los Cardales.

A presidente Dilma Rousseff defendeu, ontem, na Argentina, uma maior integração entre as indústrias dos dois países. Conciliadora, a presidente foi pouco contundente nas críticas à política comercial do país vizinho e parceiro do Mercosul.

"Não podemos negar o impacto adverso das restrições administrativas sobre o intercâmbio comercial, mas temos que admitir que o desempenho do comércio em 2012 sofre impacto da situação global", disse a presidente, minimizando o efeito que as restrições argentinas provocaram nas exportações brasileiras.

Para Dilma, "a integração entre Brasil e Argentina exige de nós um diálogo permanente" para que os países possam construir "uma das mais importantes parcerias deste hemisfério e no mundo", afirmou. "Temos que olhar Brasil e Argentina como sócios de um grande empreendimento binacional. Somos sócios de primeira grandeza."

Ao participar da cerimônia de encerramento da 18ª Conferência da União Industrial Argentina, Dilma convidou os empresários argentinos a investir massivamente no Brasil. Ela enfatizou que o Brasil está de portas abertas para o investimento, principalmente nos setores de petróleo e gás, e destacou a atratividade do Brasil para o mercado argentino.

Para a presidente, "os investimentos recíprocos serão cada vez mais decisivos ", explicou. "Temos um quadro internacional que nos impõe a necessidade de cooperação" disse Dilma, referindo-se a crise econômica mundial. "Nossa tarefa é trabalhar por uma mentalidade de negocio binacional."

Nos últimos dois anos, o Brasil investiu US$ 6 bilhões na Argentina em setores como mineração, têxtil e construção civil. No mesmo período, vieram da argentina cerca de US$ 3 bilhões para investimentos produtivos. A corrente de comércio entre Brasil e Argentina passou de US$ 2 bilhões em 1990 para US$ 39,6 bilhões em 2011. Até outubro de 2012, o fluxo foi de US$ 28,3 bilhões, que representa 82% de todo o comércio brasileiro com o Mercosul.

Durante o evento, a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, afirmou que o país não tem a intenção de dar outro calote nos pagamentos aos credores internacionais. A afirmação ocorreu semanas após o "Financial Times" ter sugerido que o país pode estar à beira de um "default", em consequência de uma decisão da Justiça americana, determinando que o país faça o pagamento do serviço da dívida sobre os bônus não reestruturados, em ação movida nos Estados Unidos. "Vamos honrar nossos compromissos como corresponde a um país que recuperou a autoestima ", disse Cristina.