Chanceler brasileiro prevê frente de livre comércio na América do Sul em 2019

Veículo: Folha de S. Paulo
Seção: Mercado

FERNANDA ODILLA
ENVIADA ESPECIAL A LOS CARDALES

Ao mesmo tempo em que Brasil pressiona a Argentina para resolver o imbróglio do desvio de comércio provocado pelas barreiras comerciais, o ministro Antonio Patriota (Relações Exteriores) prevê a formação de uma frente de livre comércio na América do Sul a partir de 2019.

"O Mercosul atua como uma câmara de ensaio, uma pedra basilar de um projeto maior: a integração sul-americana que ocorre de forma muito acelerada. Até 2019, teremos uma região que constituirá uma frente de livre comércio", anunciou Antonio Patriota durante sua palestra na 18ª Conferência Industrial Argentina, organizada pela UIA (União Industrial Argentina).

A proposta surpreendeu até mesmo o assessor especial da presidência para Assuntos Internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia. "Acredito que sejam cálculos de desoneração no âmbito da Unasul (União de Nações Sul-americanas). Eu também fiquei surpreendido", tentou explicar o assessor à imprensa.

Patriota, que não deu detalhes dessa zona livre, argumentou que, juntos, Brasil e Argentina representam a quinta maior economia mundial e mais de 50% da América Latina. "Apesar dos números superlativos ainda há muito o que fazer", disse, para, em seguida, afirmar que se deve olhar para o futuro sem deter nas dificuldades do dia-a-dia.

BARREIRAS

Enquanto Patriota olha para o futuro, empresários brasileiros reclamam das barreiras argentinas. "Travas causam um descontentamento natural porque ninguém gosta, mas não é compreensível o desvio de comércio", reclama o presidente da Associação Brasileira de Indústria Têxtil e de Confecção, Fernando Pimentel.

Ele avisa que os empresários brasileiros estão começando a se cansar das barreiras argentinas. As exportações do Brasil para a Argentina estão caindo. Empresários afirmam que, sob a alegação de que os produtos brasileiros não são competitivos, a Argentina tem se rendido à produção chinesa. "Há uma bronca real", reclamou Pimentel.