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Empresários brasileiros voltam a criticar protecionismo da Argentina

Veículo: O Estado de S. Paulo
Seção: Economia

Proposta é a integração das cadeias produtivas de ambos os países com o objetivo de exportar para outros mercados.

LOS CARDALES, - Os empresários brasileiros, reunidos nesta terça-feira, 27, na conferência anual da União Industrial da Argentina (UIA), tentam contornar o impacto das barreiras argentinas contra a importação de produtos brasileiros, propondo a integração das cadeias produtivas de ambos os países com o objetivo de exportar para outros mercados. "Estamos discutindo com nossos parceiros não só as questões comerciais, mas também sobre a produção e a integração produtiva", disse o diretor da Associação Brasileira de Indústria Têxtil (Abit), Fernando Pimentel. Em entrevista, ele disse que as discussões partem da percepção da concorrência brutal feita por países da Ásia.

Apesar de buscar uma estratégia comum para competir com a China, o presidente da Abit reclamou das barreiras argentinas. "Em 2005, o Brasil representava 40% de todas as importações de têxteis que a Argentina realizava e a China representava 3%. Hoje, o Brasil tem apenas 20% do mercado argentino e a China superou essa marca, com 28% a 29% do mercado", explicou. Pimentel afirmou que as medidas de proteção são importantes para preservar as indústrias nacionais em momentos de crise, mas criticou quando estas provocam desvio de comércio.

"As licenças para importação estão previstas pelas regras internacionais, mas os prazos na Argentina não estão sendo cumpridos", disse o presidente da Abit, em referência à demora superior a 60 dias (prazo máximo dado pela OMC) da Argentina para autorizar importações brasileiras.

O diretor de Desenvolvimento Industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Carlos Abijaodi, também reclamou do desvio de comércio, no qual as barreiras argentinas prejudicam a entrada de produtos brasileiros, enquanto os bens da China conquistam o espaço deixado pelo Brasil.

"A Argentina tem que abastecer seu mercado e, para isso, tem que comprar de alguém. Agora, se não compra do Brasil, está comprando de outro país porque é mais barato? Se for, tudo bem, mas não é esse o caso", disse. Indagado sobre a possibilidade de que a Argentina esteja comprando apenas de suas indústrias, Abijaodi disse que isso é possível. Porém, argumentou que restrições ao comércio "não são uma forma coerente de proteger a indústria nacional porque prejudicam a competitividade e a palavra chave atual é justamente competitividade".

Crise aguda

Através de teleconferência, o ex-presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e atual titular da Secretaria-Geral Ibero-Americana, Enrique Iglesias, participou de um dos painéis de debates e alertou que a crise econômica mundial é "mais profunda do que pensávamos". Segundo ele, o mundo "está diante de uma nova forma de economia", e o momento é de "se preparar para a incerteza e instabilidade". Iglesias afirmou que a insegurança econômica se refletirá na América Latina, o que aumenta a responsabilidade da região. "A América Latina será confrontada por uma grande incógnita: o que acontecerá ao mundo nos próximos anos?", disse ele, ressaltando a importância de manter as "economias controladas e fazer as reformas necessárias".



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