Indústria catarinense apresenta sinais de reação

Fonte: Noticenter

No acumulado até agosto, faturamento das indústrias subiu 10%, aponta pesquisa da Fiesc.


Setor de máquinas e equipamentos, que produz a linha branca, teve uma alta de 31,8% nas vendas (Foto: Divulgação/Fiesc)

Perspectivas de crescimento da demanda, redução do nível de estoque, que ainda está elevado, e estabilidade no nível de emprego. Estes são os primeiros sinais de reação no ano da indústria catarinense, de acordo com informações da pesquisa Indicadores Industriais, realizada pela Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc) com 200 empresas.

No acumulado do ano até agosto, o faturamento real do grupo pesquisado aumentou 10% em comparação com o mesmo período do ano passado.

“Estamos iniciando um período em que normalmente o setor industrial tem um aquecimento de suas atividades. Em agosto tivemos um bom crescimento das vendas em relação a julho (12%), confirmando as expectativas de recuperação da indústria até o final do ano”, diz Glauco José Côrte, presidente da Fiesc.

Apesar da alta nas vendas, os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a produção industrial do Estado acumula queda de 2,8% até agosto. Conforme Côrte, o descompasso entre produção e vendas se deve à incorporação dos produtos importados ao portfólio de vendas das indústrias.

Outro fator que explica a diferença é o fato de a indústria ter trabalhado ao longo do ano com estoques elevados e que começaram a ter redução significativa no segundo semestre, aponta o presidente da Fiesc.

O emprego na indústria de transformação do Estado cresceu 4,4% até agosto, o terceiro melhor desempenho no país. Os dados dos últimos meses, contudo, indicam desaceleração no ritmo de abertura de novas vagas.

De acordo com Côrte, a menos que o processo de recuperação da economia seja mais vigoroso até o final do ano, a tendência é de estabilidade no emprego industrial daqui para frente.

De janeiro a agosto, a massa salarial real fechou com alta de 1,8% e as horas trabalhadas na produção se reduziram em 1,4%. Dos 16 segmentos pesquisados, 13 registraram crescimento nas vendas, com destaque para máquinas e equipamentos, que produz a linha branca (31,8%); alimentos e bebidas (14,5%); artigos de plástico (11,5%); máquinas, aparelhos e materiais elétricos (8%); produtos de madeira (7,7%) e produtos químicos (6,4%).

Os setores com desempenho negativo foram produtos metálicos (-18%); material eletrônico e equipamentos de comunicação (-3,4%) e veículos automotores, carrocerias e autopeças (-13%).

Conforme a Fiesc, algumas medidas tomadas ao longo do ano pelo governo, caso da desoneração da folha de pagamento e da redução da taxa básica de juros, passarão a ter impacto.

“Sempre há algum período de inércia, de 60 a 90 dias, entre a entrada em vigor das medidas e o seu impacto na economia real”, diz o presidente da Fiesc. “O que nos parece mais positivo é que devemos entrar em 2013 em ritmo de crescimento. Em 2012 a economia crescerá muito pouco – em torno de 1,5% –, mas as projeções indicam que devemos encerrar o ano num nível de crescimento mais acentuado, apontando para uma boa recuperação em 2013”, finaliza Côrte.