Com estímulo do governo, duráveis lideram expansão da indústria em agosto

Veículo: Folha de S. Paulo
Seção: Mercado

As medidas do governo de estímulo à indústria, como a redução de IPI, surtiram efeito e impulsionaram a produção de bens de duráveis, que cresceu 2,6% de julho para agosto, segundo o IBGE.

A categoria, que inclui móveis, eletrodomésticos e veículos, acumula expansão de 9,4% de junho a agosto, num ritmo mais intenso de que a indústria como um todo nesse mesmo período (2,3%). Foi a categoria de produtos que registrou o maior crescimento.

Bens intermediários (insumos e matérias-primas), bens semi e não duráveis (alimentos, vestuário e outros) e bens de capital tiveram ganhos menores de julho para agosto --de 2%, 1,2% e 0,3%, respectivamente.

Para André Macedo, economista do IBGE, a redução do IPI para veículos, móveis e linha branca alavancou as vendas e consequentemente a produção de bens duráveis.

Graças ao benefício fiscal, a fabricação de veículos cresceu 3,3% em agosto, 1,6% em julho e 4,2% em junho. Nesse período, o setor acumulou uma alta de 9,3%.

Com a retomada nos meses recentes, diz, a produção de bens duráveis deixou para trás 11 meses consecutivos de queda na comparação com o mesmo período do ano anterior e cresceu 0,1% em agosto na comparação com o agosto de 2011.

"A indústria vive uma recuperação muito calcada em bens duráveis", disse Macedo.

SINAIS ALENTADORES

De julho para agosto, porém, existem sinais "mais alentadores", como um crescimento de magnitude maior da indústria --1,5%, mais alta taxa desde maio de 2011-- e "mais espalhado" entre os setores.

Dos 27 ramos pesquisados, 20 registraram expansão.

Macedo afirma que em agosto houve um crescimento mais disseminado e uma melhora do ritmo de produção.

Já em junho e julho, ante os meses imediatamente anteriores, a retomada tinha sido puxada por poucos setores e a maior parte dos ramos ainda registravam queda, segundo o economista.

Além das medidas de estímulo, diz, os estoques estão mais baixos e as sondagens com empresários já mostram um otimismo maior e mais disposição em investir.

QUEDA FRENTE A 2011

Apesar da melhora, Macedo ressalta que a indústria ainda registra perdas significativas nas comparações com 2011. No acumulado do ano, a perda é de 3,4%.

Segundo ele, ainda "persiste uma entrada maior de produtos importados" e setores importantes como a metalurgia (aço e outros) mantêm ainda "estoques indesejáveis".

Há ainda, diz, um "cenário internacional adverso", com a desaceleração de "importantes mercados" para produtos brasileiros. Macedo cita o caso do minério de ferro, cujo principal destino é a China, economia que vive uma fase de menor crescimento.