Crise faz asiáticos mirarem mercado brasileiro

Veículo: Folha de S. Paulo
Seção: Mercado
 

Com Estados Unidos e Europa em crise, os fabricantes asiáticos têm posto seus olhos no lucrativo mercado de consumo brasileiro, com a esperança de capitalizar nos preparativos do país para a Copa do Mundo de 2014 e para os Jogos Olímpicos de 2016 no Rio de Janeiro.

Esta semana, centenas deles desembarcaram na cidade de São Paulo para três dias de exibição de seus produtos eletrônicos, têxteis, para o lar e materiais de construção. E esperam não só vendê-los no Brasil, mas em toda a região.

Precursor deste tipo de evento realizado no Brasil, o "China Sourcing Fairs" atraiu 340 fabricantes da China, 41 de Hong Kong, 29 da Índia e sete de Taiwan, assim como muitos compradores potenciais de todo o Brasil e América do Sul.

Com uma população de 191 milhões de pessoas e uma crescente classe média de 95 milhões de pessoas, o Brasil, rico em recursos naturais, é a sexta economia mundial e está à espera de uma expansão ainda maior, enquanto investe bilhões de dólares em projetos de infraestrutura para o Mundial de 2014 e os Jogos de 2016 no Rio.

"Economia em crescimento, renda em alta, classe média crescente; quando se tem essas características, tem-se uma crescente demanda de produtos e é isso o que estes fabricantes oferecem", disse Bill Janeri, gerente-geral da "China Sourcing Fairs".

Vicente Silvério, sócio de uma companhia de sucata baseada em São Paulo, disse que veio à exposição para ver produtos relacionados com a reciclagem.

"Os produtos feitos na China e vendidos no Brasil são muitas vezes de má qualidade e os elétricos, por exemplo, têm problemas de segurança. Espero que o que oferecem aqui seja melhor. Os preços não devem ser obtidos às custas da qualidade", disse.

ENXURRADA DE IMPORTAÇÕES

Os fabricantes brasileiros, no entanto, queixam-se há tempos da entrada massiva de importações chinesas.

Este ano, as autoridades decidiram impor um estrito controle de qualidade às importações da China e de outros países asiáticos para frear esta cascata de mercadorias baratas.

As medidas se aplicam a 240 mil modelos nos setores têxtil, produtos de aço, autopeças e artigos para crianças, principalmente brinquedos.

Brad Kang, um empresário sul-coreano que atua no Paraguai, disse que veio à feira observar os produtos eletrônicos.

"Quero estabelecer contatos com provedores chineses aqui", disse, recordando que o Paraguai não tem relações diplomáticas nem comércio direto com a China continental porque reconhece a Taiwan, considerado uma província rebelde por Pequim.

Com a Copa do Mundo em mente, Richard Chandiramani, gerente da companhia PNS International, baseada em Hong Kong, uma empresa de equipamento esportivo, trouxe modelos de bandeiras brasileiras, camisetas com a bandeira e símbolos do Brasil e uma verdadeira parafernália esportiva.

"Estamos testando nossa sorte no Brasil antes da Copa do Mundo", disse.

Para testar essa sorte, no entanto, os fornecedores estrangeiros têm que superar os fortes impostos aplicados a seus produtos.

"Como resultado, os preços ao varejo nesse país são incrivelmente caros", lamentou Janeri. "O Brasil tem que superar isso para estimular o crescimento econômico e os investimentos estrangeiros diretos, para que seja atrativo para as empresas estrangeiras instalar montadoras que empreguem as pessoas", afirma Chandiramani.