Virar o jogo da desindustrialização

A queda no crescimento da economia, de 7,5% em 2010 para 2,7% em 2011, andou movimentando o Palácio do Planalto. Recentemente, a presidente Dilma Rousseff convidou empresários para discutir a necessidade de ampliação dos investimentos da indústria para que o país avance na direção de uma taxa de formação bruta de capital fixo de 24% ou 25% do PIB – contra os 19% atuais –, condição imprescindível para manter um crescimento de 5% a 6% ao ano da economia. 

Os empresários aproveitaram para ressaltar que o grande problema das empresas, hoje, está no Custo Brasil, que onera produtos e serviços, e sublinharam a expectativa de um ajuste fiscal que possibilite maior competitividade ante os produtos estrangeiros. A indústria, que lidera a defesa de reformas, há algum tempo sofre pela falta de medidas estruturantes. No ano passado, o setor respondeu por apenas 1,6% do crescimento do valor adicionado do PIB, enquanto serviços (2,7%) e agropecuária (3,9%) passaram à frente.

Os empresários pedem uma série de compensações pela falta de competitividade, como redução de juros, melhora do câmbio e desoneração da folha. Cabe reconhecer sinais de boa vontade do governo em rever alguns desses aspectos, para que o empresariado tenha um mínimo de condições para competir. 

Por outro lado, convém advertir que, para atingir a raiz do problema, deve-se aumentar a poupança interna do país, substituindo gradativamente o modelo de altos gastos por um padrão focado em altos investimentos. Como resultado, a possibilidade de aumentar o investimento público em infraestrutura, reduzir a taxa de juros com impacto positivo no câmbio, e propiciar condições de atingir a almejada redução da carga tributária, estimulando o investimento privado. O governo precisa captar menos e pagar menos. Só assim, com um juro mais comportado e o câmbio a um nível adequado, o investimento privado será espontâneo, criando um círculo virtuoso onde investimento gera competitividade, e esta atrai novos investimentos.