Lojas antecipam liquidação de inverno

Veículo: O Estado de S. Paulo
Seção: Economia
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O fraco desempenho das vendas à vista na segunda quinzena de junho provocou uma antecipação quase generalizada das liquidações de inverno. A estação começou no dia 20 do mês passado e, dez dias depois, as lojas de artigos de vestuário oferecem descontos de até 50%.

"Foi uma surpresa. Com o clima mais quente, consumidores pararam de comprar itens de vestuário na segunda quinzena de junho", observa o economista da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Emílio Alfieri.

Essa desaceleração no movimento se traduziu em números. Na primeira quinzena, o volume de vendas à vista, geralmente a forma de pagamento mais usada para compras de vestuário, crescia 5,2% na comparação anual. Mas, na segunda quinzena, essa modalidade despencou e o mês fechou com alta de apenas 0,3% ante igual período de 2011.

Tanto é que as liquidações de inverno que, nos últimos anos, começavam na segunda quinzena de julho, foram antecipadas para a virada do semestre. Os lojistas, porém, não admitem o enfraquecimento nos negócios.

"Todos os anos começamos a liquidação nesta época", diz Ana Pasternak, estilista da loja de roupas femininas VM/Virgem Maria. Ela explica que, hoje, as coleções têm vida mais curta e que as grandes redes comandam o movimento de renovação da linha a cada 20 dias. E as concorrentes têm de acompanhar essa tendência. Mas ela pondera que o fator crise também contribuiu para as liquidações. "Não fizemos grandes estoques. Estamos com planejamento ajustado", ressalva.

Fabiano Simões, gerente comercial da Equus, rede de artigos de vestuário com 72 lojas espalhadas pelo País, diz que a sua empresa registra crescimento de vendas. "Mas o mercado está mais difícil. Quem consegue empatar, está bom."

A empresa começou a liquidação logo após o Dia dos Namorados, com descontos de até 30%. Na virada deste mês, subiu o desconto para 50% e deve chegar a 70% em agosto.

Segundo o diretor de Relações Institucionais da Associação de Lojistas de Shopping, Luís Augusto Ildefonso da Silva, o inverno é uma estação curta e de grande risco para o lojista, porque os produtos são de maior valor. Mas ele diz que essa antecipação não está relacionada com a conjuntura de vendas mais fracas. Em maio e no começo de junho, o frio foi intenso.

Já com as vendas a prazo, o movimento foi em sentido oposto. O mês fechou com alta de 5,4% em relação a junho de 2011, após ter encerrado a primeira quinzena com elevação de 3,8%, diz a ACSP. A venda da linha branca ajudou.