Deverá se repetir, em 2012, papel do comércio em 2010

Veículo: O Estado de S. Paulo
Seção: Economia
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Confirmando as avaliações dos economistas, o comércio foi um dos propulsores do crescimento após a crise de 2008/2009, segundo a Pesquisa Anual de Comércio 2010, divulgada, quinta-feira, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). E é provável que esse desempenho se repita, neste ano, ainda que, em termos porcentuais, o ritmo seja mais modesto.

Entre 2009 e 2010, a receita líquida do comércio - atacadista, varejista e de veículos e peças - cresceu 14,2%, figurando entre as mais elevadas da economia (o Produto Interno Bruto aumentou 7,5% e o setor de serviços, 5,5%. Foram abertas 86 mil empresas comerciais (de 1,439 milhão para 1,526 milhão) e o setor gerou 686 mil vagas, passando a empregar quase 9,4 milhões de trabalhadores. A receita operacional líquida das empresas comerciais alcançou R$ 1,85 trilhão, com um avanço anual de R$ 290 bilhões.

O comércio varejista foi o que mais se destacou, em decorrência do aumento do emprego, dos rendimentos das famílias e da expansão do crédito ao consumo. Viabilizou, assim, a realização de vultosos investimentos, em especial em shopping centers, supermercados, artigos farmacêuticos, têxteis, calçados e bens de informática. O varejo empregou quase 6,9 milhões de pessoas, operando com margem de comercialização de 36,1%, maior que a do comércio atacadista (24,2%) e de veículos (18,1%). O varejo, em média, paga salários inferiores aos dos outros setores comerciais, o que favorece as contratações.

Decisões políticas como o aumento real do salário mínimo, que beneficiou os aposentados em geral e os do setor rural, em particular, e o Bolsa-Família contribuíram para o aumento da demanda e para que o comércio varejista se expandisse ainda mais nas regiões mais pobres: no Nordeste, por exemplo, entre 2007 e 2010, a receita bruta do setor aumentou 43,2% e no Norte, 32,5%, enquanto em São Paulo o avanço foi de 27,1%.

Outros indicadores do IBGE mostram que as vendas do comércio varejista no conceito restrito (que exclui veículos e peças e material de construção) cresceram 10,9%, em 2010, e 6,7%, no ano passado. Mas o Departamento Econômico do Bradesco projeta crescimento de 8% neste ano. Entre as explicações para isso, o quadro favorável do mercado de trabalho: a taxa de desemprego aberto, de 6%, em 2011, está projetada em 5,7%.

Em fase de baixo crescimento, o comércio reflete o vigor do mercado interno. Mesmo sem estímulos adicionais, como o juro menor, já daria nova contribuição favorável ao PIB.