E o mercado descobriu as gordinhas

Veículo: Jornal de Santa Catarina
Seção: Economia
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BLUMENAU - Quando se pensa no mercado fashion, a primeira imagem que vem à cabeça são as semanas de moda espalhadas pelo Brasil e pelo mundo, com mulheres lindas, altas e magras. Mas para o mercado, restringir-se somente a esta pequena parcela da população seria subestimar um comércio que se diversifica a cada dia. Para indústrias, lojas e especialistas do Vale do Itajaí, a moda feminina plus size produzida e pensada para clientes que vestem números a partir do 46 passa por um bom momento. Não só porque passou a atender a uma demanda reprimida por muito tempo, mas também porque o perfil do brasileiro está mudando segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população engordou nos últimos anos. A parcela de mulheres acima do peso passou de 28,7% para 48% da população nos últimos 10 anos.

– As empresas passaram a enxergar um público que não era visto antes, não era explorado. Há cinco, seis anos, não existia uma moda plus size. As roupas eram sempre retas, com cores neutras e quase sempre escuras, feitas para esconder o corpo de quem estava acima do peso – lembra a professora de Design de Moda da Univali e Uniasselvi, Luciane Ropelatto.

Para a professora, quem investiu há alguns anos neste mercado, agora deve se consolidar. Mas Luciane lembra que ainda há muito espaço para expansão. Para Kika Morcelli, de Blumenau, ex-cliente de lojas especializadas (ela emagreceu 24 quilos nos últimos oito meses), a mudança do mercado está indo bem, mas é preciso evoluir sempre.

– Ajuda muito saber que temos roupas bonitas para comprar. Hoje não tenho problemas, antes sofria. Mas agora sei que quando precisar, vou ter – ressalta a assessora parlamentar.

Na região, há exemplos de fábricas que investiram no mercado de moda grande. A pomerodense Cativa, por exemplo, que já mantinha a Cativa Mais há cerca de 10 anos, lançou neste inverno a segunda coleção da Gris Plus Size, um nicho dentro da marca, mais contemporânea – os tamanhos vão do 48 ao 54.

– Na época do lançamento da Cativa Mais, vimos a oportunidade olhando o mercado a nossa volta e aproveitando a demanda. Desta vez, percebemos que com o aumento do poder aquisitivo e as mudanças sociais, a exigência também aumentou, o que abriu espaço para uma nova marca, mais sofisticada – conta a gerente de produto Aguiomar Scharf, sem falar em números, mas afirmando que dentro da empresa, o nicho do plus size é o que mais cresce.

Para comprovar as lacunas deixadas no mercado, a Fakini acaba de lançar a primeira coleção da Urban Side Plus Size. Depois de uma pesquisa de mercado, ficou evidente a necessidade de investir em uma coleção para tamanhos maiores.

– Todo mundo nos respondeu que o melhor investimento era a moda plus size feminina, que era garantia de sucesso. Depois do lançamento, já tivemos feedback das lojas e recebemos encomendas de todo o país – comenta o diretor comercial da empresa, Francis Giorgio Fachini.

daniela.pereira@santa.com.br.

DANIELA PEREIRA

O QUE É PLUS SIZE?
Basicamente, são os números a partir do 46. Mas há outras particularidades que caracterizam os tamanhos especiais:
- As fábricas normalmente consideram plus size os números entre 46 e 54. Mas há marcas que partem para os tamanhos especiais já a partir do 44
- Algumas empresas não tratam a modelagem plus size somente em relação ao número. A Cativa Mais, por exemplo, desenvolve algumas peças pensando em um perfil comum às mulheres do Sul: naturalmente grandes e altas, com uma estrutura maior, mas não necessariamente acima do peso
- Há também mulheres que tem uma parte do corpo maior, sejam os seios, os quadris ou o bumbum. Essas, muitas vezes, precisam de modelos plus size para ficarem mais confortáveis
- O mesmo acontece com quem tem pernas ou braços mais grossos: para elas, é preciso modelos com mangas maiores, mas o restante da peça não precisa ser grande
Fonte: Fonte: proprietária da Dona Karlota, Karla Althoff; diretor comercial da Fakini, Francis Giorgio Fachini; gerente de produto da Cativa, Aguiomar Scharf; sócia-proprietária da loja Enigma G, Renata de Souza