Importações de vestuário crescem 41,1% até maio, diz Abit

Veículo: Valor Econômico
Seção: Empresas
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SÃO PAULO - As importações de vestuário cresceram 41,1% em valor nos primeiros cinco meses deste ano em relação ao mesmo período de 2011, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit). Em toneladas, as importações avançaram 32,5%, na mesma comparação. 

De janeiro a maio, houve crescimento de 18,2%, para US$ 2,24 bilhões, no déficit na balança comercial do setor têxtil e de confecção (excluída a fibra de algodão), na comparação com um ano antes. As importações avançaram 11,9% e somaram US$ 2,75 bilhões, enquanto as exportações tiveram queda de 12,2%, para US$ 512 milhões. 

Na sexta-feira, foi anunciada a alteração da margem de preferência de compras governamentais, anteriormente fixada em 8% pelo governo federal, para 20%.  Empresários do setor esperam que a “competição desleal” entre produtos importados e fabricados nas licitações públicas seja reduzida, diz a Abit. “Com a nova margem de preferência, poderemos competir de forma mais equilibrada com os produtores asiáticos”, afirma Aguinaldo Diniz Filho, presidente da Abit. 

Segundo Diniz, os exportadores chineses contam com 27 tipos de incentivos para baratear o seu preço. “É preciso mudanças contínuas e profundas nas estruturas de produção. As medidas anunciadas pelo governo há alguns dias mostram uma sensível preocupação com a desindustrialização e redução dos empregos no País, mas ainda não são suficientes”, afirma.

Segundo o IBGE, de janeiro a abril de 2012, a produção da indústria têxtil recuou 7,6%, enquanto o segmento de vestuário teve queda de 13,5%. Já o varejo teve um desempenho positivo de 0,4%. Esse crescimento foi abastecido pelo alto volume de produtos importados, afirma a Abit.

No mesmo período, o setor têxtil e de confecções gerou 11.692 novos postos de trabalho, 70% menos que no mesmo período do ano passado, quando foram criadas 16.536 vagas.

Do início do ano até o hoje, o “Importômetro”, da Abit, registra a soma de R$ 3,13 bilhões em importações no setor. “O número mostra que mais de 352 mil postos de trabalhos deixaram de ser gerados”, afirma a entidade.