Diagnóstico da indústria ressalta as boas práticas

Veículo: Valor Econômico
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Monica Messenberg: "A indústria virou a parteira, aquela que sempre ajuda".

 

Poucos lugares parecem menos indicados para a instalação de um jardim do que o telhado de uma casa. Mas a solução arquitetônica que já ganhou escala comercial e virou um bom negócio para algumas empresas é um dos exemplos de como a indústria da construção tem contribuído para a sustentabilidade.

O caso poderia ilustrar um estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) em que o setor parece querer virar a página da história na qual aparecia como vilão ambiental. Há exemplos de conquista na redução das emissões de gases do efeito estufa, práticas sustentáveis de produção e até avanços tecnológicos que põem algumas empresas na ponta de lança do corporativismo ambiental.

A pesquisa tenta retratar o cenário da sustentabilidade em dezesseis setores industriais representativos de 90% do PIB brasileiro. Às vésperas da Rio+20 foi debatido por 800 empresários no "Encontro da Indústria para a Sustentabilidade", no Rio de Janeiro. A próxima meta é traçar indicadores verdes confiáveis para medir a evolução efetiva da sustentabilidade na indústria.

"A indústria deixou de ser o problema na questão ambiental e virou a parteira, aquela que sempre ajuda", diz Monica Messenberg, diretora de relações institucionais da CNI. "As empresas fizeram o dever de casa em busca da sustentabilidade, mas ainda dependem de uma métrica mais precisa que estabeleça o custo da inovação e o prazo para a sua implantação."

O que o estudo do CNI revela é o ponto de partida. Desde a Eco-92, nada menos de 90% das empresas do setor de máquinas e equipamentos adotam políticas para minimizar o impacto ambiental. O projeto Carbono Zero, criado em 2009, incentiva medidas para reduzir as emissões de CO2.

As indústrias elétricas e eletrônicas investem em tecnologias inovadoras para aumentar a eficiência energética e a produtividade. As ações criadas pelo Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel) resultaram na economia de 6,131 milhões de KWh. Geladeiras e condicionadores de ar consomem 60% menos energia que há dez anos. Desde 2010, geladeiras e condicionadores de ar não usam mais o CFC, gás responsável pelo buraco na camada de ozônio.

O setor químico já reduziu em 47% as emissões de gases de efeito estufa. Nas fábricas, o consumo de óleo combustível caiu 65%, substituído pelo gás natural e combustíveis renováveis.

As indústrias de alumínio reciclam 97,6% das embalagens e emitem 4,2 toneladas de CO2 por tonelada produzida contra a média mundial de 9,7 toneladas. Toda a madeira usada na produção de celulose e papel vem de florestas plantadas. O setor reciclou, em 2010, 43,5% de todo o papel que circulou no país.

As fábricas de cimento transformaram 870 mil toneladas de resíduos em insumo energético ou na substituição de matéria-prima. Oitenta e cinco dos 198 projetos de crédito de carbono no Brasil, que até 2020 terão compensado ou evitado a emissão de 34,8 milhões de toneladas de CO2, são da cadeia de alimentação.

Empresas têxteis já conseguiram neutralizar 100% de seus efluentes com inovação tecnológica. Um automóvel fabricado hoje no Brasil é 28 vezes menos poluente que um veículo produzido 30 anos atrás.

No setor de construção, novos produtos e modelos de habitações, como o Casa Eficiente e o Light Steel Framing, garantem obras mais sustentáveis, com menos entulho e nível de consumo zero de energia.

Nas indústrias de aço os índices de recuperação de água chegam a 97,6%. Na mineração, 90% da água é reciclada na exploração de ferro, ouro, bauxita e carvão mineral. Empresas que lavram minério de ferro já transportam a produção com o auxílio da gravidade em minerodutos que ligam as minas às regiões portuárias.

"O que a indústria precisa agora é referendar o compromisso de promover avaliações regulares e qualificar os indicadores para avançar de forma mais consistente na sustentabilidade", diz Monica Messenberg, da CNI.