A indústria em abril reduziu seu efetivos e os salários

Veículo: O Estado de S. Paulo
Seção: Economia
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Os dados relativos à produção industrial dessazonalizados, da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e do IBGE, para o mês de abril em relação a março, são iguais: uma queda de 0,2%, nos dois levantamentos. Isso mostra que o setor manufatureiro ainda não se recuperou, deixando de dar sua contribuição para o crescimento do PIB.

Os dados da CNI fornecem informações que podem reforçar uma visão pessimista para os próximos meses. O faturamento real dessazonalizado não somente está em queda pela terceira vez consecutiva, e é muito diferente do resultado do mesmo mês de 2011 (2,7% de aumento), mas houve a maior queda de emprego, de 0,6%, desde abril de 2009. E também a massa salarial encolheu 3,9%, enquanto em abril de 2011 havia crescido 8,3%. O resultado atual é o pior para o mês desde 2006.

Esses dados da indústria contrastam fortemente com os de outros setores e devem afetar negativamente a demanda doméstica, que já se retrai em razão do endividamento das famílias. O governo concentra todos os seus esforços no objetivo de dar um impulso à demanda interna, mas certamente não previa uma queda do nível de emprego e uma redução dos rendimentos na indústria, o que acarretará uma atitude ainda mais cautelosa das famílias para não aumentar seu endividamento.

O governo conta com aumento dos investimentos, especialmente na indústria. Mas como convencer este setor a aumentar seus investimentos quando a perspectiva do aumento da demanda é ruim e quando a Utilização da Capacidade Instalada (UCI), em abril, ficou em 81,9% (dados dessazonalizados) apresentando queda de 0,5 ponto porcentual (p.p.) em relação ao mês anterior e de 1,4 p.p. comparando com abril de 2011. Trata-se de um fato importante, pois os investimentos só reverterão a tendência atual de estagnação quando o setor manufatureiro tiver registrado uma firme - isto é, duradoura - percepção de aumento da demanda - interna e externa - o que o governo não parece entender.

A comparação do número das horas trabalhadas em relação ao mesmo mês de 2011 é certamente muito útil para analisar as perspectivas dos diversos setores da indústria. Dos 19 analisados pela CNI, apenas 4 apresentam um aumento - modesto - em relação a abril de 2011, sendo os dois maiores, vestuário e produtos químicos (1,2% cada um), enquanto a maior queda é registrada nos têxteis, o que nos leva a concluir que com matéria-prima chinesa barata foi possível desenvolver o ramo de vestuário.