Indústria fica mais otimista, mas demite em abril

Veículo: Valor Econômico
Seção: Brasil
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A expectativa dos empresários industriais quanto ao futuro da economia começou a melhorar em abril, com a desvalorização do câmbio, mantida desde então, e a persistente redução dos juros. Mas o cenário para a indústria ainda é muito complicado, entendem os especialistas da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Em abril, a indústria de transformação aumentou seu faturamento em 0,2% ante março, com ajuste sazonal, mas tanto horas trabalhadas quanto emprego registraram quedas de 0,6% cada, na mesma comparação. O uso capacidade instalada também caiu: de 81,5% em março para 81% em abril.

Segundo Renato da Fonseca, gerente-executivo da CNI, a lógica por detrás das dificuldades da indústria neste segundo trimestre é simples. "Para poder surfar nesses estímulos que o governo dá ao consumo, é preciso ter um produto melhor que o importado. Para isso é preciso inovar, mas, para inovar, é preciso fazer investimentos de alto risco. Com o cenário atual, não só o industrial tem dificuldade para fazer essa decisão como os bancos ficam reticentes em emprestar para essa modalidade de investimento", disse Fonseca, ontem, durante a divulgação dos dados referentes a abril.

Em abril, uma mesma cadeia produtiva seguiu caminhos totalmente opostos. De acordo com dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI), a indústria têxtil registrou o pior desempenho dentre todos os 19 setores da indústria de transformação no quesito horas trabalhadas - em abril, as horas trabalhadas na indústria têxtil foram 8,5% menores que no mesmo mês de 2011. Por outro lado, a ponta dessa cadeia produtiva - os fabricantes de vestuário - registraram o melhor resultado entre os pesquisados pela CNI: um avanço de 1,2% nas horas trabalhadas na comparação entre abril deste ano e abril do ano passado.

"Os estoques ainda estão indesejados na indústria, de modo geral, e as horas trabalhadas só aumentaram em quatro setores em abril, justamente aqueles em que os estoques ficaram um pouco menores", afirmou Marcelo de Ávila, economista da CNI. Em abril, apenas os setores de vestuário, produtos químicos, máquinas e equipamentos elétricos e alimentos e bebidas registraram avanço nas horas trabalhadas em relação a igual do ano anterior. (JV)