Desembolsos do BNDES patinam no início do ano

Veículo: O Estado de S. Paulo
Seção: Economia
Página:

Os desembolsos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) patinaram no primeiro trimestre de 2012. De janeiro a março, o banco liberou R$ 24,5 bilhões, montante 1% inferior ao registrado em igual período do ano passado, quando houve o primeiro recuo em liberações desde 2006 nessa base de comparação. Embora o resultado reflita o fraco desempenho da economia a partir do segundo semestre de 2011, o banco prevê uma retomada dos investimentos ao longo do ano.

"Aparentemente, estamos num processo de superação das expectativas menos otimistas em relação à economia brasileira, infletindo o pensamento empresarial numa direção de retomada do investimento", disse o presidente do BNDES, Luciano Coutinho.

A avaliação leva em conta o aumento de 37% nos pedidos de financiamento (consultas) feitos ao BNDES de janeiro a março deste ano ante os mesmos meses de 2011, totalizando R$ 55,7 bilhões. O indicador é um termômetro da intenção de investir das empresas. Coutinho destacou a retomada em comércio e serviços e nas indústrias petroquímica e mecânica. Em igual base de comparação, os enquadramentos também subiram. Atingiram R$ 48,3 bilhões, alta de 28%.

Segundo Coutinho, a recuperação desses indicadores foi impulsionada em grande parte pelos incentivos dados pela quarta fase do Programa de Sustentação do Investimento (PSI), que oferece empréstimos subsidiados às empresas. O executivo avalia que a segunda etapa do Plano Brasil Maior, lançada no começo do mês para dar mais competitividade à fragilizada indústria nacional, deve reforçar a tendência de retomada dos planos de investimento no futuro.

O setor de infraestrutura respondeu por 41% dos desembolsos no primeiro trimestre. A indústria, que vem tendo desempenho tímido, recebeu 26% dos financiamentos, quase o mesmo que comércio e serviços (24%). Apesar disso, Coutinho diz que o investimento industrial "começa a demonstrar vitalidade".

O BNDES projeta investimentos de R$ 597 bilhões para a indústria no período 2012-2015. O estudo inclui os setores de petróleo e gás, extrativa mineral, têxtil e confecção, papel e celulose, química, siderurgia, eletroeletrônica, automotivo, indústria aeronáutica e Complexo Industrial e Saúde (CIS).

O volume previsto é 29,5% superior ao investimento estimado pelo BNDES no período 2007-2010, de R$ 461 bilhões. O pré-sal deve garantir ao setor de petróleo e gás aportes de R$ 354 bilhões. A maior parte disso virá da Petrobrás, cujo plano de negócios nos próximos quatro anos é de US$ 128 bilhões.

Juros. Apesar das quedas que levaram a taxa básica de juros (Selic) para 9%, o BNDES não pretende reduzir a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), que rege a maior parte dos empréstimos da instituição, fixada em 6% desde julho de 2009. "Considero saudável a convergência (das taxas)", disse Coutinho. De acordo com o executivo, o BNDES só voltará a repensar uma redução da TJLP quando a inflação cair abaixo de 4% ao ano. A TJLP é calculada levando-se em conta um cenário de inflação projetado para o longo prazo e o risco Brasil.