Temporários fazem a Texfair Home acontecer

Veículo: Jornal de Santa Catarina
Seção: Notícias
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Em meio a tantos estandes, visitantes e blocos de pedidos, eles passam despercebidos. Discretos, cerca de 1,5 mil trabalhadores, segundo a coordenação do evento, garantem o conforto para que os negócios possam ser feitos sem percalços e a boa imagem da Texfair Home, em Blumenau, circule pelo país a fora. Auxiliares de serviços gerais, copeiras, garçons e recepcionistas trabalham para que os 15 mil visitantes esperados para a edição deste ano saiam satisfeitos. O trabalho na feira também virou fonte de complemento à renda familiar.

A rotina de cuidar dos netos e da vizinha idosa é quebrada por dona Geni durante os quatro dias da Texfair Home. Pelas mãos de Maria Geni de Souza, 61 anos, são feitos e servidos cerca de 2,4 mil canapés e salgadinhos. Os quitutes são para o estande da Kacyumara, onde ela trabalha há cinco anos durante a feira. Tudo é caseiro e feito no capricho para que a fome não seja o motivo de algum visitante saia do local insatisfeito. A renda complementa a aposentadoria de costureira.

– Quero sossegar, mas fazem questão que eu trabalhe pra eles – conta Geni.

Os trabalhadores temporários e terceirizados são envolvidos em todos os processos desde a montagem, execução até a desmontagem da feira. Os salários e o período de trabalho variam conforme a função e a empresa. A contratação é feita tanto pela própria organização da Texfair quanto por empresas especializadas. A coordenadora da Texfair Home, Fernanda Pezzi, garante que os temporários são imprescindíveis para o sucesso do evento.

Durante a feira, Genésio Manoel Paulo trabalha em dobro para aproveitar a fonte de renda extra. Ao todo, são 16 horas por dia no Parque Vila Germânica. Mas, para Genésio, vale o esforço. À noite, ele é gari da prefeitura de Blumenau. Depois do turno, dorme um pouco e vai para a feira. Na Texfair, é responsável pela limpeza do banheiro masculino. Os R$ 60 que recebe por dia, mais passe e alimentação, ajudam a complementar o orçamento da casa.

– Trabalho desde a primeira edição. É um ambiente muito bom – avalia Genésio, que também trabalha em outras feiras da região.

Há três anos, para sustentar os dois filhos, Sirlei Ramos trocou as faxinas em casas de Porto Alegre para viajar pelo Brasil trabalhando em feiras. Ela faz parte da força-tarefa que ajuda a manter limpos os estandes e os 3,8 mil metros quadrados de carpete vermelho espalhados pelos setores da Vila Germânica.

– Apesar da distância dos filhos, que ficaram no Rio Grande do Sul, o salário no final do mês pesa mais. E também assim eu viajo e conheço vários lugares bonitos, como Blumenau – conta Sirlei.

São trabalhos como o de Geni, Genésio e Sirlei quem contribuem para que seja alcançada a meta imposta pelo Sindicato das Indústrias de Fiação, Tecelagem e do Vestuário de Blumenau e Região (Sintex), promotor da feira. A intenção é que tudo corra tão bem para a estadia do visitante dentro da feira, que ele não tenha do se queixar, pelo contrário, só elogiar, explica o presidente do Sintex, Ulrich Kuhn.