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A indústria inicia mal o ano, talvez por fatores sazonais

Veículo: O Estado de S. Paulo
Seção: Economia
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No primeiro mês do ano a produção física da indústria caiu 2,1% na margem e 3,4% em relação ao mesmo mês do ano passado. O problema é saber se esse resultado permite projetar, para 2012, mais um ano de recuo industrial.

Dois fatos pesaram bastante nesse recuo: as fortes chuvas em Minas Gerais, que afetaram a produção de minério de ferro; e o excesso de estoques de carros de passeio e caminhões, que levou as empresas deste setor a darem férias coletivas.

Examinando mais de perto os dados da produção industrial, em que 14 dos 27 ramos apresentaram recuo, verifica-se, por exemplo, que a produção de bens de capital acusou queda de 16% na margem. E esse é um fato que poderia levar à conclusão de que os investimentos deverão cair mais uma vez, ao longo do ano. No entanto, verifica-se que foi uma queda importante no setor de energia elétrica (menos 34%) e de equipamentos de transporte, cujo resultado em 12 meses foi nitidamente positivo. Em compensação, os bens de capital para fins industriais cresceram 5,2%, e neles, os para fins não seriados cresceram 21%. Os bens de capital agrícolas cresceram 32%.

A queda de 2,9% dos bens intermediários mostra que ou a indústria tem grandes estoques ou recorreu à importação, aproveitando preços mais baixos, o que parece uma constante desde agosto do ano passado. As autoridades deveriam dar maior atenção a esses produtos, cada vez mais importados, que estão criando dependência externa e, muitas vezes, nos colocam à margem da evolução tecnológica.

A queda de 1,9% dos bens de consumo duráveis concentrou-se em carros de passeio, com excesso de estoques. Um exame do efeito do crescimento da classe C sobre a demanda de carros talvez mostrasse, hoje, uma saturação que levará a um consumo menor.

O setor dos bens semiduráveis e não duráveis foi o único a apresentar um crescimento (0,7%). Trata-se essencialmente de produtos alimentares e de vestuário que parecem acusar uma ligeira reação diante das medidas protecionistas.

O governo tem demonstrado que pretende dar uma ajuda à indústria nacional. Além de ser uma reação muito tardia, parece-nos que a fórmula não é a mais oportuna. Por que, mais um vez, mobilizar o BNDES, fornecendo novos recursos com a obrigação de o banco reduzir seus juros? Já se verificou que essa é uma fórmula com poucos resultados. Em lugar de subsidiar os juros, por que não baixar a carga tributária?



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