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Presidente da Coteminas espera medidas anti-importação

Veículo: Valor Econômico
Seção: Brasil
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O presidente da Coteminas, Josué Gomes da Silva, acredita que o setor de cama, mesa e banho nacional tem boas perspectivas no curto e médio prazo. Além de o mercado interno, segundo ele, já dar sinais de aquecimento nos dois primeiros meses do ano, Silva também acredita que o governo vai tomar novas medidas para conter as importações "desleais" e "ilegais".

Entre as medidas que ele espera para breve estão a aprovação da resolução 72 no Senado e a aprovação das salvaguardas para proteção do setor têxtil nacional. A resolução 72, que está desde o ano passado para ser votada no Senado, uniformiza a alíquota do ICMS nas operações interestaduais com bens e mercadorias importadas. Já o pedido de salvaguarda contra importados têxteis está em elaboração pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit).

Na sua opinião, apesar de ter ocorrido um forte aumento das importações têxteis nos últimos anos, e especialmente no ano passado, esse incremento será conjuntural e não permanente, porque há uma sensibilização do governo em relação ao setor. "Estou confiante que a resolução 72 seja aprovada agora em março. Acho que o governo vai tomar as medidas necessárias para que a cadeia produtiva não se desfaça, porque isso depois é difícil de recompor", diz.

Silva, que esteve em Blumenau para participar da feira têxtil Texfair, entende que a resolução 72 é "imprescindível". "Não podemos, dentro de uma conjuntura internacional como a que estamos passando, conceder incentivos de ICMS para importações de produtos acabados. Por incrível que pareça, como se não bastassem todas as outras razões da conjuntura internacional que fazem com que se tenha excesso de produtos desembarcados em nossos portos, ainda tem essa loucura que é o incentivo ao produto importado", afirma o empresário.

" O próprio Estado que pratica isso - que abre mão de 9%, mas ganha 3% -, tem uma visão míope e imediatista, porque acredita que não teria esses 3% de outra maneira, mas está prejudicando a longo prazo o emprego no Estado", diz.

Para o empresário, não é a indústria que está se aproveitando da situação de incentivos, "mas uma multiplicação de tradings que se instalam nos Estados que dão incentivos, muitas vezes tradings que só operam em função desse benefício e que nada agregam em termos de emprego no país". Segundo ele, isso "é ilegal, é um crime que causa perda de empregos, já foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal e se continuou a praticar".

Ao falar sobre as importações feitas pela própria Coteminas, disse que é "contra importar", porque "você começa a importar e vai abrindo buracos nos elos da cadeia produtiva". Segundo ele, "o que nós podemos fabricar, estamos fabricando no Brasil, tenho que importar muito pouco e isso não está crescendo".

Segundo Silva, os incentivos para importações nos portos é um dos grandes problemas do setor. "Não acho que seja um único. Há um somatório de fatores. É difícil atribuir o impacto de uma só questão. A infraestrutura precisa ser melhorada, porque é cara, o câmbio precisa estar em patamar melhor. Mas não dá para concorrer com um universo desleal e com um incentivo totalmente ilegal".

Em artigo publicado domingo na "Folha de S. Paulo", fazendo analogia com "gatos" de energia elétrica, água e TV a cabo, ele considerou a guerra fiscal dos portos como um "gato" fiscal. "Porque gato é eu pegar, por exemplo, a energia que você paga e usá-la sem pagar nada. A guerra fiscal é mais ou menos isso. Um Estado, por interesse próprio e imediato, prejudica os Estados vizinhos."

Sobre a salvaguarda, Silva diz que ela é "tecnicamente e absolutamente correta". "Ela não resolve os outros problemas, temos que continuar investindo em eficiência, inovação e produtividade, mas ela tem que ser adotada."


A repórter viajou a convite da Texfair.



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