Hering desacelera, mas amplia rentabilidade

Veículo: Valor Econômico
Seção: Empresas
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Ana%20Paula%20Paiva%2FValor / Ana%20Paula%20Paiva%2FValorOldani, diretor financeiro da Hering: "Imaginávamos que daria para fazer mais"



Avaliada no patamar histórico de R$ 7,5 bilhões na bolsa, a Hering apresentou algumas sintomas de desaceleração no seu balanço do quarto trimestre e anual. Os números sinalizam para um horizonte de crescimento mais modesto para a empresa nos próximos anos, com espaço para melhoria nos seus níveis de rentabilidade.

A Hering registrou lucro líquido de R$ 105,2 milhões no quarto trimestre, em alta de 4,4% em relação ao mesmo período do ano passado. A receita líquida, na mesma comparação, avançou 23,45%, para R$ 407,8 milhões.

No conceito mesmas lojas, as vendas cresceram 8,2%, desempenho que ficou abaixo da expectativa da própria companhia. "Já considerando que houve uma desaceleração da economia como um todo, imaginávamos que daria para fazer mais", diz o diretor financeiro da empresa, Frederico Oldani.

Segundo o executivo, daqui para frente será difícil a Hering manter o ritmo de expansão que vinha registrando nos últimos anos - bastante acima do mercado de vestuário. Pelo critério de vendas, a Henring estava apresentando avanços anuais da ordem de 40%. No comparativo entre 2011 e 2010, as vendas aumentaram 33,4%. "Apesar de mais baixo, é um desempenho ainda muito expressivo", comentou Oldoni.

No quarto trimestre, o lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação (Ebitda) ficou em R$ 133, 8 milhões, em alta de 30% em relação a um ano antes.

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Na esteira do que estava entregando ao mercado trimestre após trimestre, a fabricante de roupas com sede em Blumenau (SC) conseguiu ampliar sua margem Ebitda. De outubro a dezembro, o índice subiu 1,7 ponto percentual, para 32,8% e, no ano, 1,9 ponto percentual, para 29,1%.

A favor da companhia, contribuiu o modelo de negócio baseado em franquia, em que não são necessários muitos gastos em estrutura para ampliar as receitas. Isso compensou parte da pressão de custos com a alta do preço do algodão, especialmente na primeira metade do ano.

Ciente de que crescerá numa pisada mais lenta, a Hering tem boas perspectivas para o ano. A empresa tem como meta atingir 507 lojas na rede Hering Store, com 75 inaugurações até dezembro.

Em paralelo, a companhia dará início à expansão da rede Hering Kids, com a abertura de 20 lojas no ano. Os resultados das cinco lojas-pilotos da marca, segundo Oldani, surpreenderam positivamente a companhia. "As vendas por metro quadrado foram superiores à da própria Hering Store", apontou o executivo.

Apesar da aposta na marca infantil, a tradicional Hering Store, que atingiu 432 lojas em 2011, deve permanecer como a principal fonte de crescimento da Hering pelo menos pelos próximos três anos. "Ainda há muito espaço para crescer", disse o executivo, citando um estudo que mostrou um potencial de 604 lojas da marca há dois anos atrás. "De lá pra cá, a economia evoluiu muito e esse número hoje precisa ser atualizado para cima", disse.

Além da Hering Store e da Hering Kids, a Hering é dona das lojas da PUC e Dzarm. As quatro marcas apresentaram crescimento de vendas de dois dígitos no ano, quando o lucro líquido da companhia alcançou R$ 297,3 milhões, em alta de 40,2% em relação a 2010.

Em 2011, a receita líquida da Henring ficou em R$ 1,35 bilhão, com alta de 33,6% em relação a 2010.