Região Nordeste deve ultrapassar o Sul em consumo

Veículo: Valor Econômico
Seção: Notícias
Página:

Os sintomas de desaceleração no consumo que afetaram o varejo em 2011 estão longe de aparecer em 2012. E parte desse comportamento se deve ao Nordeste do país, que deve ultrapassar o Sul este ano em volume de compras. É o que prevê a pesquisa Pyxis Consumo, base de dados do Ibope Inteligência que apresenta o potencial de gastos por família ou grupo de produtos em todos os municípios do país.

De acordo com a projeção do Ibope, o ano de 2012 deve somar R$ 1,3 trilhão em compras de bens e serviços, o que representa um crescimento nominal de 13,5% sobre o ano anterior. Em 2011, a alta havia sido de 10,5% sobre 2010. O montante representa cerca de 30% do Produto Interno Bruto (PIB).

  

"Estamos sempre em contato com os varejistas, que são nossos clientes e nossas fontes de dados no Ibope, e já percebemos que nesses dois primeiros meses do ano a venda está melhor", afirma Antônio Carlos Ruótolo, diretor de geonegócios do Ibope Inteligência. Segundo o executivo, o Brasil registra um crescimento do número de domicílios acima do crescimento da população, uma vez que há cada vez mais consumidores morando sozinhos. "Além disso, o aumento real da renda e a formalização do emprego vêm impulsionando o consumo", diz Ruótolo.

As projeções não consideram a inflação. Sendo assim, em 2011, o crescimento real do consumo foi de 4% (descontando a taxa de 6,5% do IPCA). "Este ano, a previsão é de inflação de 5,5%, o que proporcionaria um crescimento real de 8%", diz o executivo. Dessa forma, 2012 apresentaria o dobro do aumento da demanda em relação ao ano passado.

De acordo com a pesquisa, a região Nordeste, que respondeu por 15,8% do consumo de 2011, deve representar 17,3% dos gastos de R$ 1,3 trilhão deste ano. Com isso, o Nordeste supera em potencial de consumo a região Sul, que passa de 16,2% para 17% do total a ser movimentado no país em 2012. O Nordeste só fica atrás, então, do potencial do Sudeste, que perde representatividade no consumo nacional: de 54,2% para 51,3%. Na região está concentrada 42% da população nacional.

Em termos percentuais, no entanto, a região Norte, que responde por 5,2% do consumo e abriga 8,4% da população, é a que mais vai crescer este ano: 26,5%. "A cidade de Manaus se transformou em um canteiro de obras, tanto da iniciativa pública quanto privada", comenta Ruótolo.

Já em relação ao total gasto, o Distrito Federal é o lugar mais caro do país. "Qualquer grupo de produtos ou serviços custa, no mínimo, 17% a mais do que a média nacional", diz o executivo. O gasto anual com alimentação fora do lar em Brasília, por exemplo, é de R$ 1,2 mil per capita, enquanto que em São Paulo é de R$ 926,8 e, no Rio, R$ 928,25. Os moradores do Distrito Federal gastam por ano, em média, R$ 1.144,22 com vestuário, contra R$ 761,44 no Estado do Rio e R$ 757,06 em São Paulo.

O levantamento do Ibope Inteligência apresenta o potencial de compras em 21 setores, entre eles, alimentação no domicílio, alimentação fora do domicílio, eletrodomésticos e equipamentos, vestuário, medicamentos, telefonia móvel, mensalidades e matrícula, fumo, material de construção, automóveis e despesas com recreação e cultura.

A pesquisa discrimina quanto cada classe social deve gastar no total das vendas de 51 grupos de produtos que pertencem a esses 21 setores (ver tabela). Por exemplo: 58% do total gasto em ensino em 2012 virá da classe B, enquanto 48% do que for consumido em carnes e derivados sairá do bolso da classe C. Já a classe A vai responder por 25,7% do que for gasto em produtos financeiros (taxas, juros e seguros pessoal, residencial e do automóvel).

Na divisão por classes, a A (2,6% dos domicílios) é a que mais consome CDs, DVDs, produtos financeiros, artigos de decoração e veículos. Na classe B (24,4% dos domicílios), tem maior peso o consumo de ensino, combustível, cinema, serviços automotivos e artigos esportivos. Na classe C (52,4% das residências), os destaques são tabaco, carnes e derivados, mercearia e matinais. Já nas classes D e E (20,6% dos domicílios), cigarros e mercearia têm o maior peso.