Indicadores confirmam Natal fraco e sugerem poucas encomendas à indústria

Veículo: Valor Econômico
Seção: Brasil
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Os dados preliminares das vendas no varejo confirmaram as projeções de que o Natal deste ano seria mais morno, com um crescimento bastante aquém do registrado no mesmo período de 2010. A demanda mais fraca neste fim de ano deve fazer com que o processo de ajuste de estoques em curso continue, inibindo um aumento mais forte de encomendas à indústria no início de 2012.

Segundo levantamento realizado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) com base em dados do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), as vendas registradas pelo varejo aumentaram 2,3% neste Natal. O resultado destoou daquele registrado no mesmo período do ano passado, quando as vendas em relação a 2009 haviam aumentado 9,48%, e ficou abaixo da expectativa da confederação, que estimava avanço de 8% no período.


  

Para o presidente da CNDL, Roque Pellizzaro Junior, além da inflação mais alta em 2011, que comprometeu a renda do consumidor, dois fatores contribuíram para o desaquecimento do setor varejista neste fim de ano: o nível de endividamento do brasileiro e o aumento da inadimplência, o que levou parte dos consumidores a usar o 13º salário para saldar dívidas.

Nos shopping centers também houve desaceleração nas vendas. A expectativa era de um crescimento de 6,5% nas vendas de fim de ano. Mas o resultado foi um aumento nominal de 5,5%, segundo a Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop). Se for descontada a inflação, na média o resultado indica vendas inferiores às de igual período de 2010.

De acordo com o Indicador Serasa Experian de Atividade do Comércio-Natal 2011, as vendas do varejo no país na semana do Natal, em relação a igual período do ano passado, cresceram 2,8%. O dado (que considera volume vendido) mostra forte desaceleração. Em novembro em relação ao novembro de 2010, o indicador mostrava alta de 7%. O resultado, no entanto, ficou dentro do esperado, segundo Carlos Henrique de Almeida, economista da Serasa Experian. "A pesquisa de expectativa do empresariado para esta época do ano já tinha detectado uma diminuição do otimismo", afirmou. Ele ressalta que em 2010 o crescimento das vendas foi de 15,5% sobre 2009. "Não foi um Natal ruim. Se olharmos apenas a taxa de crescimento, ficou distante do ano passado. Mas a base de comparação é alta."

Alguns itens procurados no fim de ano como presentes de Natal apresentaram deflação nos doze meses até novembro. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou que o preço de televisores caiu 18% no período, enquanto computadores ficaram 12,1% mais baratos. Outros produtos como bicicleta e brinquedos tiveram aumento abaixo dos 6,97% registrados pelo IPCA no período, mas vestuário e calçados subiram mais.

Segundo Alessandra Ribeiro, economista da Tendências Consultoria, as vendas de Natal não devem marcar novo ritmo para a economia, mas ela enxerga retomada na margem ao projetar avanço de 2% do comércio em dezembro ante o mês anterior, com base na pesquisa mensal do IBGE, na série com ajuste sazonal. A economista avalia que essa recuperação deve ocorrer pela desoneração tributária concedida no início do mês para alguns itens da linha branca.

No entanto, ela ressalta que o efeito da redução da alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) é de antecipação do consumo, o que não deve gerar demanda adicional ao longo de 2012. A consultoria não projeta recuperação da indústria no próximo ano, com crescimento de 2%, ante estabilidade em 2011.

Na contramão das pesquisas de outras entidades, o levantamento preliminar da Associação Paulista de Supermercados (Apas) para as vendas do setor mostrou aumento real de 6% entre 1º e 24 de dezembro em relação a igual período de 2010. O balanço parcial superou a expectativa de alta de 5% da entidade. Para Martinho Paiva, diretor da Apas, o resultado foi "muito bom, especialmente diante do cenário macroeconômico mais difícil atualmente. A compra de alimentos não foi afetada pelo desaquecimento da economia", disse.