Grifes brasileiras reavaliam preços

Veículo: Valor Econômico
Seção: Empresas
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Prestes a estrear nas passarelas suas coleções outono/inverno de 2012, os estilistas brasileiros estão preocupados com a concorrência estrangeira que desembarca no país. "Os grandes grupos, além de conseguirem custos menores para seus produtos em função do volume de vendas, têm também grande poder de crédito. Qualquer empresa multinacional pode chegar ao Brasil e oferecer parcelamento em até dez, doze vezes", diz Eloysa Simão, diretora-geral do Senac Rio Fashion Business.

Ela observa que, por conta disso, as grifes estão preocupadas em produzir peças que tragam uma relação custo/benefício maior. "São peças de qualidade com preços mais acessíveis".

Com o dólar mais barato, a exportação em reais tornou-se uma tarefa quase impossível, diz Eloysa. Apenas algumas poucas grifes ainda conseguem exportar para a Europa ou para os países árabes. Em função da crise na Europa e do desenvolvimento da economia brasileira, são as grifes estrangeiras que estão de olho no Brasil. "A nova classe média brasileira não para de comprar nestes momentos iniciais de crise. Eles são poucos sensíveis às informações e mais atentos ao que o bolso diz", diz Eloysa.

Por isso, mais grifes de fora do Rio têm procurado participar de grandes eventos de moda. O próximo Fashion Business, que apresentará a coleção outono/inverno de 2012 entre os dias 10 e 13 de janeiro, terá 40% de grifes que não têm sede no Rio. "O evento se transformou numa das datas mais importantes do calendário da moda, reunindo mais de 300 grifes nacionais", diz a diretora do Senac Rio Fashion Business.

O objetivo é negociar as coleções com empresas multimarcas que vendem por todo o país. "Hoje, a maior parte das empresas vende até 60% do que produziu na temporada durante o evento".

Neste ano, a 19ª edição mudará de lugar, será transferida da Marina da Glória para o Jockey Clube do Rio de Janeiro. "Lá pudemos integrar mais os setores", diz Eloysa. Além de áreas de gastronomia, decoração, haverá peças de cinco artistas plásticos. "O objetivo é mostrar que a moda caminha junto com a cultura de forma geral, não é uma indústria isolada".

O investimento será de R$ 16 milhões. O evento receberá 70 mil visitantes e 20 mil lojistas convidados, entre eles mil compradores Vips e a expectativa é vender 10% a mais em relação ao mesmo período do ano passado, totalizando cerca de R$ 760 milhões.