Perto do Natal, indústria espera 'presentes' de Mantega

Veículo: Valor Econômico
Seção: Brasil
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A expectativa dos empresários do setor industrial que vão se reunir hoje em São Paulo com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, é não sair do encontro de mãos vazias. Apesar de o objetivo da reunião ser apresentar um balanço do ano, os industriais se preparam para colocar na mesa suas reivindicações e esperam que algumas delas sejam atendidas. Os pedidos "natalinos" dos setores variam de desoneração tributária à crédito para o consumo de bens.

O presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Aguinaldo Diniz Filho, espera que o governo conceda medidas de incentivo para o setor. "Estou com grandes expectativas de que algo seja anunciado", disse.

A pauta da indústria têxtil foi apresentada a Mantega, em São Paulo, durante reunião em novembro, quando o ministro se mostrou preocupado com o setor e prometeu uma ação até o fim do ano, segundo Diniz. A desoneração da folha de pagamento é a principal reivindicação da indústria têxtil, que perdeu muita competitividade em 2011 com a invasão de produtos importados. "O que o setor quer é uma condição igualitária de competição com a China. A gente não pode deixar que os subsídios internos que eles têm destruam empregos no Brasil", afirmou o presidente da Abit.

O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat), Walter Cover, disse que vai levar ao ministro dados do setor neste ano - que ficaram abaixo do esperado - e que deseja costurar medidas com o governo que facilitem e aumentem a produção no ano que vem. No início de 2011, a Abramat esperava crescimento real de 9% do setor. Agora, a associação estima aumento real de 3% para este ano. Três fatores contribuíram substancialmente para a queda: as medidas de contenção de crédito adotadas pelo governo no começo do ano, o aumento das importações e um ritmo menor do que o esperado em obras de infraestrutura. A conversa com Mantega será para "não deixar acontecer em 2012 o que aconteceu neste ano."

Enquanto a Abramat espera medidas mais abrangentes, a Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco) acredita que pode ter uma demanda atendida. O presidente Cláudio Conz disse esperar um ataque ao que considera um dos principais fatores de desaceleração do setor no ano: o fomento ao crédito. "O Banco do Brasil deve liberar RS 25 bilhões em crédito para o consumo. A Caixa Econômica Federal também deve fazer uma linha de financiamento de material de construção. O novo ministro do Trabalho [Paulo Roberto dos Santos Pinto] prometeu trazer soluções para ampliar esse financiamento até janeiro", disse.

A previsão no começo do ano era de que o comércio de materiais de construção civil crescesse acima de um dígito. No entanto, a estimativa atual da Anamaco é de que o setor feche 2011 com aumento real de 4,5%. O crescimento abaixo do esperado revela uma tendência ruim para o próximo ano. "Os últimos meses foram de forte desaceleração. Isso mostra que, ao contrário do primeiro trimestre deste ano, quando começamos forte, o início de 2012 será fraco", disse o presidente da associação.

A Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) mostra menos otimismo com o encontro e não espera medidas imediatas que beneficiem o setor, mas também vai apresentar reivindicações, entre as quais o fim da "guerra dos portos", em que alguns Estados concedem incentivos fiscais para importações e acabam afetando os produtores de outras regiões.

Fátima Ferreira, diretora de economia e estatística da associação, deposita mais esperança no Conselho de Competitividade Setorial, referindo-se aos grupos instituídos, dentro do âmbito do Plano Brasil Maior, por técnicos do governo e membros da iniciativa privada que, em sua opinião, serão importantes para auxiliar na formulação de políticas que atendam às necessidades do setor.