Em relato otimista, ministro apontará sinais de retomada

Veículo: Valor Econômico
Seção: Brasil
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A atividade econômica começou a se recuperar em novembro, e o pacote de estímulos ao consumo, lançado pelo Ministério da Fazenda no início do mês deve acelerar o ritmo dessa retomada. Esse será o principal relato que o ministro Guido Mantega, da Fazenda, fará aos empresários, hoje, na última reunião do Grupo de Avanço da Competitividade (GAC), na sede do Banco do Brasil, em São Paulo.

A dez dias do Natal, Mantega vai apresentar indicadores de atividade relativos ao mês de novembro (como expedição de papelão ondulado e tráfego de veículos em rodovias com cobrança de pedágio), que apontam para um incremento da atividade, que no mês será impulsionada pelo consumo das famílias.

A aposta do governo na recuperação da economia a partir de novembro não deve desencadear pressões inflacionárias, avalia a equipe econômica, já que os preços internacionais das commodities estão estabilizados ou em queda e não haveria um choque de oferta no horizonte.

O ministro da Fazenda vai passar uma "mensagem de franco otimismo" para os empresários, segundo fonte familiarizada com os dados que serão expostos por Mantega durante a reunião. O cenário traçado pela equipe econômica para 2012 inclui um crescimento mínimo de 4% para o Produto Interno Bruto (PIB), que será puxado, principalmente, pelo incremento da renda e do emprego formal.

Além do avanço superior a 14% esperado para o salário mínimo, a partir de janeiro, haverá o "efeito defasagem" dos cortes na taxa de juros básica promovidos pelo Banco Central desde o fim de agosto. As medidas de estímulo adotadas em 1º de dezembro - redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para eletrodomésticos da linha branca e redução do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre crédito ao consumidor) - também devem auxiliar a retomada da atividade econômica já no início de 2012.

O ministro da Fazenda também espera que o início das medidas de elevação em 30 pontos percentuais do IPI para veículos com menos de 65% de conteúdo nacional, a partir de amanhã, impulsione a demanda das montadoras por peças e partes produzidas no Brasil.

O argumento de Mantega está centrado na "reativação do consumo das famílias", que começou no mês passado, e que, espera-se, será acelerado ao longo de 2012. Depois de três meses consecutivos em que o consumo das famílias, medido pela Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), do IBGE, decepcionou a equipe econômica, o dado de novembro, que só será conhecido em meados de janeiro, mostrará o "início da recuperação".

"Com os estímulos à produção nacional, e, mais importante, com a retomada do consumo, a indústria nacional poderá colocar o pé no acelerador, porque vamos garantir um ritmo acelerado da atividade, com uma taxa de câmbio mais favorável que a de 2011, ou seja, menos estimulante aos importadores", explicou ao Valor uma fonte do alto escalão da equipe econômica.

Mantega se reunirá com empresários da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), do Sindicato da Indústria de Autopeças (Sindipeças), da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), da Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat) e da Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco).

Três dessas associações mantêm mesas de negociação com o ministro. Enquanto Anfavea e Sindipeças estão envolvidas nas medidas de elevação de imposto para veículos com menos de 65% de conteúdo nacional, que começa a vigorar amanhã, a Abiquim apresentou a Mantega, em outubro, estudo sobre as dificuldades do setor em competir com produtos químicos importados. O ministro da Fazenda gostou do trabalho e o encaminhou para análise de técnicos do ministério.